Algumas mulheres são verdadeiras fontes de inspiração. Empresárias, celebridades e professoras, por exemplo, comumente se destacam por suas atitudes. Mas é no cuidado do dia a dia, no afeto e carinho cotidiano que surgem algumas heroínas anônimas que muitas vezes, mesmo sem perceber, acabam transformando o mundo a sua volta. Assim são as avós, mulheres inspiradoras por natureza, que rompem as barreiras do tempo e passam seus aprendizados para gerações futuras.

Foi por causa da avó, que Patricia Mendes Cavalcante, de 25 anos, começou a costurar. Apaixonada pelo mundo dos tecidos desde pequena, Patricia desenvolve diversos projetos envolvendo costura. "Desde criança já gostava de costurar. Lembro que tinha um macacão e queria transformá-lo em uma saia. Minha vó me ajudou e eu adorei aquilo. Gosto de saber que uma coisa pode se transformar em outra", conta ela. Segundo a avó de Patricia, Lúcia Vidotte Mendes, de 75 anos, a neta sempre foi habilidosa. "Ela fez um trabalho sobre costura quando estava na segunda ou terceira série. Lembro de ela ter me perguntado algumas coisas, mas não fiquei ensinando. Só dei umas dicas e em poucos dias ela fez um vestido todo de jornal."

Assim como Patricia, Lúcia aprendeu a costurar ainda menina. "Comecei com uns 12 anos. Naquela época era preciso saber costurar para ser uma boa dona de casa", relembra. Anos mais tarde, já casada, a costura virou profissão. "Fazia roupas sob medida e costurava para me manter. Hoje eu já não costuro tanto. Faço apenas alguns reparos", comenta ela. Foi na casa da avó, que Patricia começou a tomar gosto pelas agulhas e tecidos. "A mãe dela trabalhava muito e ela ficava bastante comigo. Foi na minha casa que ela emendou os primeiros retalhos. Ela e minhas outras netas. Mas só ela seguiu costurando", conta. É nessa mesma casa, que hoje Patrícia e a avó mantêm seus ateliês.

Mesmo ofício, diferentes caminhos
Formada em artes visuais, Patricia chegou a começar a faculdade de Moda, mas logo viu que sua relação com a costura ia muito além das roupas. "Comecei com as roupas, mas logo passei a fazer outras coisas como bolsas, acessórios e vários outros objetos, sempre com retalhos. Achei que o outro curso tinha mais a ver com meu processo criativo", explica. Em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), batizado de "Costurando Origens", Patricia abordou o legado da avó. "Falei bastante sobre as questões simbólicas da costura e tudo o que ela nos traz."

Envolvida em vários projetos com costura, Patricia participou, recentemente, do "Costurando Histórias", onde ensinava crianças a confeccionar um tapete de tecidos baseado em uma contação de histórias. Atualmente, ela está focada em um outro projeto, o "Pétala da Mamãe: vida criativa", onde a ideia é levar oficinas de costura para diversos lugares do país.

Mesmo orgulhosa do talento da neta, Lúcia confidencia que, a princípio, ficou preocupada com o fato de Patricia seguir o seu caminho. "Hoje vejo que valeu a pena ela ter seguido na costura porque é o que ela quer e gosta de fazer. Mas antes não queria. Trabalhei com muita dificuldade. Fazia o que gostava, mas era muito sofrido. Eu não valorizava o meu trabalho, não cobrava muito e queria fazer tudo perfeito. Mas desejo que ela possa se realizar fazendo o que quer."

Para Patricia, porém, os aprendizados adquiridos com a avó vão muito além da arte de costurar. "Me sinto privilegiada de poder conviver e aprender tanto com ela no cotidiano. Ela é a minha verdadeira inspiração, quem me traz energia criativa", valoriza.

Imagem ilustrativa da imagem COMPORTAMENTO - Tal vó, tal neta
| Foto: Foto: Rei Santos
"Ela é a minha verdadeira inspiração, quem me traz energia criativa", diz Patricia Cavalcante, de 25 anos, que aprendeu a costurar com a avó, Lúcia Mendes, de 75 anos



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