COMPORTAMENTO - Sem pensar em parar
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quinta-feira, 10 de setembro de 2015
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Pelos próximos 75 dias, a nutricionista Hilda Secco, radicada em Curitiba, vai estar na Índia para uma série de cursos relacionados à culinária ayurvédica, ioga e meditação. Misto de aventura e desafio para qualquer pessoa, a temporada tem um sabor ainda mais especial para Hilda, de 68 anos. "A vida é uma eterna dinâmica", ensina.
Formada em Direito no ano em que completou 40 anos, foi funcionária do Tribunal Regional do Trabalho até 1998. Antes de se aposentar, concluiu pós-graduação em Direito Constitucional, antes havia feito uma especialização em Direito do Trabalho. Por questões de saúde, saiu em busca de alimentação e terapia naturais e não mais parou.
"Fui fazer a faculdade de Nutrição para comprovar cientificamente o que me mostravam as terapias naturais", conta Hilda, que conquistou o novo diploma dois anos atrás. Na Índia, além de estudar, ela também tem na agenda uma temporada de vivência e tratamento ayurvédico de Panchkarma. "Enquanto não me curar não posso curar os outros", explica.
"Não tenho colesterol, nada, mas tenho sobrepeso", conta Hilda, que vem compartilhando seu conhecimento em palestras. Foi depois de um curso técnico de ayurvédica iniciado no ano passado que surgiu a necessidade de viajar para a Índia. "Daí a vontade de conhecer e me aprofundar em trofoterapia a cura por meio da alimentação natural e em especial a culinária ayurvédica." A ideia de Hilda era ainda engatar um trabalho voluntário por lá, mas questões burocráticas acabaram não permitindo.
A temporada na Índia vai ser de aprendizado para Hilda e de inspiração para quem a cerca. "Eu acho que se a pessoa para, envelhece e se entrega", diz. "Gosto muito de viajar, procuro ir para Nova York ver vitrines pelo menos a cada dois anos. Sou curiosa dos usos e costumes das pessoas", define Hilda, que passou 40 dias no Peru fazendo trekking. "Não me sinto velha, você tem que procurar se renovar", avisa.
Para Mirna Montezuma ter completado 71 anos significa que já está com 72. "Entrei no 72, não é isso?", diverte-se. Ao contrário de muita gente que prefere esconder a idade, ela não só entrega como ainda soma mais um. Nascida no Pará, veio para o Paraná ainda criança e desde então carimbou no DNA a paixão pelas viagens. "Se Deus tinha uma fila de preguiça, eu passei longe", conta.
Sempre com uma tirada divertida na ponta da língua, Mirna até lembra que alguém já a aconselhou a ter um canal no YouTube. "Do céu só cai chuva e cocô de passarinho, o resto a gente tem que ir atrás", ensina. E ela foi atrás do curso universitário quando já tinha três filhos. "Tinha 30 anos e fui fazer Administração. E tive notas 10 no histórico", avisa. "Naquele tempo era mais fácil", acredita Mirna, que cuidou dos filhos, trabalhou e estudou ao mesmo tempo.
No final da faculdade ela estava grávida do caçula. No parto, Mirna teve o intestino perfurado, o que fez com que ela não desse sequência, naquele momento, à carreira. "E também nos mudamos de cidade", lembra. "Eu tinha 50 anos quando resolvi abrir uma loja e depois uma confecção de lingerie e fazia tudo sozinha", conta ela, que tinha experiência de escritório das cerca de duas décadas trabalhando com um dos irmãos.
Depois de um incêndio no shopping em que ficava a loja e a falta de perspectiva de um outro espaço, Mirna decidiu encerrar o negócio. "Mas não fiquei parada um ano. Meu sobrinho apareceu perguntando se eu conhecia alguém para trabalhar na loja dele e eu disse tem eu", conta. O expediente na loja de brinquedos é vespertino. "Acordo às 5h30 e vou para a ginástica, depois cuido do apartamento e aí vou trabalhar. Gosto muito de trabalhar", diz.
"Também faço inglês há um ano que é para afastar o alemão, o Alzheimer", brinca Mirna. Falando sério, a necessidade de aprender o idioma surgiu no ano passado durante uma viagem à China. "Fui com a minha irmã, que fala umas quatro línguas e arrumou um guia que falava alemão e eu não entendia nada", conta. Foram 45 dias de viagem desde o desembarque em Moscou e a aventura pela icônica Transiberiana. "O duro foi a tirolesa, como eu sou muito magrinha, a cadeirinha não pegou aquela velocidade que eu imaginava", afirma.




