COMPORTAMENTO - Recomeço no interior
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de agosto de 2015
Karla Matida<Br>Reportagem Local 
Histórias de quem busca a tranquilidade à beira-mar depois de criar os filhos e se aposentar não são novidade. Aliás, fazem parte do imaginário de muita gente. Mas a questão é que muitas pessoas não estão querendo mais saber de esperar décadas para isso. Mesmo sem o mar por perto, Londrina virou rota de jovens casais cansados da rotina dos grandes centros.
Coincidentemente, Ariane e Fabrício Furtado e Gabriela e Rafael Losso desembarcaram por aqui em fevereiro deste ano de mala, cuia e muitos planos. Enquanto o primeiro casal pensou nos filhos na hora da troca de cidades, o segundo casal veio pensando nos filhos que planejam ter por aqui. Para a ortodentista Ariane e o cardiologista Fabrício, Londrina "é onde tudo começou". Os dois não têm família na cidade, mas se conheceram no vestibular da UEL. E foi para cá que resolveram se mudar depois de cerca de oito anos em São Paulo.
Pais de Felipe, de 6 anos, e Leonardo, de 4, o casal pensou muito nos filhos. "A escola deles ficava a oito quadras de casa e a gente demorava às vezes 1h20 para chegar", conta Ariane. Além do trânsito, também entrou na lista dos contras, "a questão da poluição e da falta de água", lembra Fabrício, que tinha na capital paulista o emprego dos sonhos de muitos médicos, um posto no hospital Sírio Libanês.
"Nós dois estávamos em Brasília no ano passado para um congresso e encontramos um amigo de faculdade que perguntou se eu não queria voltar", conta o médico. "Pensamos é agora ou nunca mais", explica Ariane. É que o casal estava se preparando para construir consultórios juntos, com duas salas próximas à residência.
Para os dois, nascidos e criados no interior paulista, as limitações da metrópole para as crianças sempre vinham à tona. "Onde meus filhos vão andar de bicicleta?", refletia a ortodentista. Para os pequenos, o grande desejo era ter um cachorro. "Vimos oito apartamentos e só duas casas e escolhemos esta quando o meu filho falou que esta era boa para o cachorro", emociona-se. Seis meses depois da mudança, Tatá chegou para animar ainda mais a casa dos Furtado.
"É um recomeço de tudo", diz Fabrício, que assim como Ariane está criando uma nova rede de pacientes. "Até me espantei com a rapidez", conta o médico. Ele não esconde que por aqui os rendimentos são menores que na capital paulista, mas que em troca tem a recompensa de ver os filhos bem e com mais tempo. "Não precisei cancelar a agenda para estar em casa neste horário (17 horas). Em São Paulo chegava em casa por volta das 21 horas."
Para Ariane, o início foi tumultuado por conta de uma inesperada cirurgia no rim. "Minha mãe teve que me ajudar na mudança", lembra. "Escolhemos vir no início do ano para não atrapalhar a escola", conta a ortodentista. Para alegria de Fabrício, até vaga na escolinha de futebol eles encontraram com facilidade. "Em São Paulo tinha fila de espera", relata.



