Dorico da SilvaMarcos Roberto Rossini, professor de física, explica que os livros de auto-ajuda surgiram no mercado após a 1ª Guerra MundialAlém das disciplinas curriculares exigidas no vestibular, os cursinhos pré-vestibular estão investindo cada vez mais na auto-estima dos alunos. Afinal, ninguém chega a lugar algum sem dar credibilidade a si mesmo. Na maratona por uma vaga, a cobrança excessiva pelo alto investimento, a concorrência com outros alunos, o número de candidatos por vaga, o volume de matéria, tudo pode contribuir para que o aluno duvide de sua capacidade.
Com o vestibular de inverno da Universidade Estadual de Londrina, de 20 a 23 de julho, a tensão começa mais cedo que em outros centros. ‘‘O vestibular é estressante e o nível de exigência é alto. Tanto os alunos de cursinho como os do terceiro colegial estão vivendo essa tensão. Eles se cobram e a família também’’, constata a diretora acadêmica do Curso Delta, Silza Maria Valente. Para suportar essa fase tão estressante, é preciso que o aluno não se esqueça que o lazer tem que fazer parte do processo, caso contrário, a vida estudantil se torna extremamente sedentária.
Dorico da SilvaDepois de quatro vestibulares sem resultado positivo, Cristiane Ziliotto passou por uma fase de estresse. ‘‘Agora isso mudou’’, garante
Silza ressalta que é fundamental a diminuição da ansiedade, e uma das formas para conseguir isso é trazer especialistas da área, que trabalhem com a orientação neurolinguística. ‘‘Trouxemos recentemente o professor Beto, autor do livro ‘‘O poder da aprovação’’, que falou sobre como se envolver de maneira positiva com o estudo’’, diz.
O professor Marcos Roberto Rossini, atuando há 11 anos na disciplina de física, enumera os três perfis básicos do aluno de cursinho. ‘‘O primeiro tipo é o estudante de renda baixa, que entrou na escola particular para fazer cursinho. Ele se sente na necessidade de aprender tudo de uma vez. Neste caso, a cobrança é grande e o aluno se mostra muito angustiado’’, observa o professor.
Ele prossegue dizendo que outro tipo de aluno é aquele que tem uma base mais firme, faz cursos extras como redação, matemática e inglês. Esse aluno também está preocupado, entretanto, em nível menor. E, finalmente, há ainda o tipo que estuda e não



se aflige com a maratona do vestibular. Para atingir todos esses tipos de alunos, Rossini acredita que hoje um professor de cursinho tem que oferecer muito mais, com aulas mais atraentes. O professor concorda que os livros de auto-ajuda contribuem e destaca ‘‘Os Sete Hábitos das Pessoas muito Eficazes’’, de Stephen Coen, que não aborda só a aparência, mas se preocupa também com a essência.
Dorico da SilvaA professora Silza Maria Valente, do Colégio Delta, acredita que uma das fórmulas para trabalhar a diminuição da ansiedade é promover palestras com profissionais de reprogramação neurolinguística
Fuga para Bolívia A vestibulanda Cristiane Ziliotto, 18 anos, vai tentar no próximo vestibular o curso de medicina. No ano passado, ela prestou quatro vestibulares e não foi aprovada em nenhum. ‘‘Fiquei péssima, estressada, supersensível, meus cabelos caíram. Pensei em ir até para a Bolívia fazer faculdade lᒒ, diz a estudante.
‘‘Agora isso mudou’’, garante Cristiane. Um dos pontos que a deixa mais vulnerável se refere aos constantes palpites sobre a carreira escolhida. ‘‘É tanta opinião que às vezes até duvido da profissão escolhida. A gente fica sem saber se fez a escolha certa’’, desabafa. No entanto, a certeza de que optou pela profissão correta pode se confirmar porque Cristiane já se imagina como médica no futuro.
Para reerguer a cabeça e burlar o sentido de incapacidade, Cristiane buscou auxílio no livro de auto-ajuda ‘‘O sentido da vida’’, de Amy Dean. O resultado da leitura, segundo a estudante, foi autoconfiança e determinação para alcançar seu ideal, que é ser aprovada no vestibular.

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