Fotos: Dorico SilvaAngela e Renato: curso para pais ajudou a adquirir confiançaFraldas, mamadeiras, chupetas e cueiros. Engraçado como algumas meninas dominam estes objetos tão bem quando brincam de casinha. Só que a boneca não se mexe sozinha, só chora movida à pilha e faz xixi quando a ‘‘mãezinha’’ quer. À noite, a ‘‘filhinha’’ fica quietinha, em cima da cômoda ou até dentro do guarda-roupa. Essas meninas crescem, casam, engravidam e quando saem da Maternidade, ‘‘bailam’’ ao cuidar de uma boneca de carne e osso.
Para as mulheres que só tinham estas lembranças da relação mãe-filho, a maternidade real é uma surpresa atrás da outra (umas boas, outras assustadoras). Quem diria que é tão difícil arrancar um simples arroto pós-mamada. Ah! Incontáveis tapinhas nas costas... Horas a fio debruçada no berço para acompanhar a respiração.
Ser mãe de ‘‘primeira viagem’’ para as mulheres desta geração não é tarefa das mais simples. A grande maioria já vem de família reduzida, sem aquela tradição dos irmãos mais velhos cuidarem dos menores. E para quem é filha caçula, então, a dificuldade é ainda maior.
Regina e o quarto de Isabella: segredos para o sucesso do banho
Vigília A dentista Angela Cristina de Freitas Soares, 31 anos, foi aprender como cuidar de um bebê quando estava no 8º mês de gravidez. E aprendeu na teoria, em um curso preparatório para pais, em apenas quatro noites. Só foi se deparar com a prática mesmo quando Renato nasceu, no dia 24 de maio do ano passado. ‘‘Éramos uma família de pais e avós de primeira viagem porque o Renatinho é o primeiro neto das duas famílias’’, comenta .
O curso deu tanta confiança para Angela que ela fez questão de dar o primeiro banho no filho. ‘‘Eu não tive nenhum receio’’, orgulha-se a dentista, que até hoje ainda amamenta no peito o garoto de quase um ano de idade. Ela lembra que nos primeiros 15 dias, as avós se revezavam na vigília noturna em torno da criança. ‘‘Quando ele completou 15 dias, eu dei alta para as duas avós’’, brinca. ‘‘Elas ficaram preocupadas, mas entenderam que nós três precisavámos enfrentar as dificuldades’’. O primeiro susto, Angela passou quando o filho tinha 19 dias. ‘‘Eu estava sozinha em casa à noite e ele teve um soluço muito forte, que não passava. Pensei até em recorrer à vizinha, mas depois resolvi ter calma e esperar’’.
No consultório particular, a dentista voltou a atender aos poucos, quando Renato estava com aproximadamente três meses. No outro emprego, ela cumpriu a licença-maternidade de quatro meses. ‘‘Quando o filho chega, a gente tem que estar preparada para mudar a rotina’’, ensina. Ela conta que depois que foi mãe, até planeja as suas tarefas. ‘‘Mas acabo fazendo só algumas coisas porque ele mudou o meu ritmo, exigindo mais atenção e cuidados’’, conta. Angela acredita que passou a entender melhor a vida depois que o filho nasceu. ‘‘Entendi o trabalho que a minha mãe teve comigo’’, frisa.
Arquivo pessoalSilvana gosta da nova fase de Giorgia, que dá os primeiros passos e demonstra suas emoções
Maternidade contagiante A vinda de Renato trouxe tantas alegrias à família de Angela que até a irmã, a também dentista Regina Maria de Freitas Barcelos Gonçalves, 32 anos, também quis ser mãe. A previsão do parto é para o dia 20 deste mês. ‘‘Estou doida para ver a carinha, os olhinhos da Isabella’’, revela. Ela também tem pouca experiência com crianças - nunca deu banho em bebês e diz que dá para contar nos dedos as vezes que trocou uma fralda. ‘‘Vou aprender tudo na hora, de acordo com as necessidades’’, afirma, confiante. E conta um segredo: ‘‘Na hora de dar banho, a gente deixa a água quentinha, segura firme e cuida para não entrar água nos ouvidos’’.
Por enquanto, a única preocupação é deixar tudo pronto para a hora em que Isabella chegar. O quarto decorado pela mãe em tons pastel, já tem bichos de pelúcia na estante e vestidos pendurados no guarda-roupa.

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