Comportamento - O Poder da Oração
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quinta-feira, 27 de março de 1997
Ademir Fernandes Agência Estado 
Warren NabucoBoa parte dos médicos americanos já está abandonando a tradicional separação entre religião e ciência. Segundo uma pesquisa de opinião feita pela Academia Americana de Médicos de Família, entre mais de 250 especialistas, 99% deles disseram acreditar que a crença espiritual de um paciente ajuda na sua cura. Também nos EUA, foi realizado recentemente um seminário sobre espiritualidade e cura, na Universidade de Harvard. A oração não é apenas um ato com quem rendemos culto a Deus, afirma o cirurgião e biólogo francês Alexis Carrell, autor do livro O Homem, Esse Desconhecido. É, igualmente, irradiação da natureza religiosa do homem, a mais potente forma de energia de quantas conseguimos desenvolver, acrescenta.
Outro francês, o escritor Michel Quoist, autor de Poemas para Rezar e Construir o Homem e o Mundo, afirma que, apaixonado pela eficiência, e algumas vezes à sua revelia, o homem que pensa a oração em termos de rendimento humano, condena-se a não compreender, e ainda menos a não viver uma vida de autêntica oração. Já Allan Kardec cita um trecho da Bíblia em O Evangelho Segundo o Espiritismo, para advertir que as preces jamais devem ser pagas: Disse ainda Jesus: Não façais que as vossas preces sejam pagas; não façais como os escribas que, a pretexto de longas preces, devoram as casas das viúvas, o que quer dizer: apossam-se de suas fortunas. Segundo Kardec, a prece é um ato de caridade, um impulso do coração; fazer pagar aquelas que dirigimos a Deus pelos outros é nos transformarmos em intermediários assalariados.
Os torcedores nunca vão esquecer a cena mostrada pela tevê durante a decisão da Copa de 94, quando os jogadores da Seleção se deram as mãos e começaram a rezar na hora da cobrança dos pênaltis. Pois os jogadores, de todas as religiões, costumam rezar antes dos jogos e fazer o sinal da cruz assim que entram em campo. Da mesma forma, é comum ver nos estádios, em dia de decisão, torcedores aflitos rezando para que seu time vença um jogo decisivo. Não seguem exatamente o que pregam Quoist e Kardec, mas demonstram que acreditam no poder da fé, como fazem agora os médicos dos Estados Unidos - onde, aliás, já existem cinco faculdades dando cursos sobre espiritualidade e cura.


