Quando criou a banda "Surface" há 18 anos, Paula Gibrin tinha um objetivo claro: formar uma banda só de mulheres. Inspirada por outras bandas do mesmo tipo, Paula, na época com 17 anos, foi atrás das amigas na tentativa de colocar o plano em prática. "Sempre gostei de música e desde a oitava série já tinha esse desejo de ter uma banda. Mas ninguém levava a sério", relembra. Depois de um tempo em busca de companheiras para a banda, Paula acabou conhecendo outras duas garotas que toparam encarar o desafio. "Ainda faltava uma baterista. Na época não conhecia nenhuma mulher que tocava bateria e pelo nosso estilo ficava ainda mais difícil encontrar alguém."

Quando topou chamar um homem para acompanhá-las, Paula começou a perceber que não seria uma tarefa fácil se provar como banda em um ambiente tão masculino e muitas vezes machista. "Muita gente dizia que não queria tocar em banda de menina." Quem assumiu o posto na bateria foi Eduardo, mais conhecido como Cientista, que logo viu potencial nas garotas. "Para compensar a desconfiança, elas se esforçavam em dobro", diz ele.

De fato, a mistura deu certo. Com apenas um mês de existência a Surface já estava participando de uma coletânea com bandas de todo o Brasil, sempre tocando músicas autorais. "Não chegamos a ter algum problema por sermos mulheres, mas muitas vezes mostrava as nossas músicas para alguém e falavam: para uma banda de meninas até que está bom", comenta Paula, que além de compositora, era guitarrista do grupo.

Afastada da banda há pouco mais de um ano, hoje Paula ainda acompanha de perto os trabalhos da Surface, que é composta por Cláudia Fraga de Oliveira, Débora Menck, além de Cientista e Miguel. "Acho que o preconceito com as mulheres em bandas sempre existiu. Você fala de rock e as pessoas já pensam em algo masculino", reflete Cláudia. "Mas o talento não depende de sexo ou idade. Isso já está mais que provado", conta ela que há dois anos deixou de ser fã e espectadora para ingressar na banda. "No começo foi pressão tocar com eles que já tocavam juntos há tanto tempo, mas agora já estou acostumada."

Para Cláudia e Paula, a presença crescente de mulheres no cenário do rock nacional ajudou a incentivar outras meninas a criar e ingressar em bandas. "Acho que pior do que o preconceito por sermos mulheres é o preconceito por acharem que temos envolvimento com drogas. Quando se fala em banda, logo pensam que você está envolvido com isso, o que não é verdade", diz Paula. "Uma banda tem muito mais a oferecer do que ser 'vida louca'. Ter uma banda é poder se expressar e passar ideias", acrescenta.

Imagem ilustrativa da imagem COMPORTAMENTO - O palco é delas
| Foto: Foto: Gustavo Carneiro
Cláudia de Oliveira e Paula Gibrin: "Ter uma banda é poder se expressar e passar ideias"
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