Atenção, genros e noras: não se esqueçam de homenagear a sogra neste dia 28 de abril. Pois é, pouca gente sabe, mas existe o Dia da Sogra. E tomem cuidado com as piadas nestes tempos em que o ‘‘politicamente correto’’ serve de freio contra o humor de gosto duvidoso. A sogra já foi cantada em verso e prosa, contra e a favor, virou verbete de enciclopédia de frases de pára-choques de caminhão e também é tema literário, graças a um trabalho dos psicoterapeutas Abrahão e Bertha Grinberg. Depois de quatro anos de pesquisas, eles lançaram o livro Sogras e Noras - Aprendendo a Conviver.
Na música, a sogra virou alvo dos gozadores há muito tempo - mais precisamente em 1915, quando J. Carvalho e J. Praxedes compuseram Ai, Filomena, para o Carnaval: ‘‘A minha sogra morreu em Caxambu/foi pela urucubaca/que lhe deu o seu Dudu/Ai, Filomena, se eu fosse como tu/tirava a urucubaca da careca do Dudu’’. (Dudu era o apelido do marechal Hermes da Fonseca, presidente da República na época e que, segundo seus adversários, dava azar, ou seja, urucubaca, como se dizia naqueles tempos.
Mais tarde, lá pelos anos 50, o sambista Gadé pisou fundo no acelerador, compondo Faustina, cantada por Jorge Veiga: ‘‘Faustina, corre aqui depressa/olha quem está no portão/é minha sogra com as malas dela/e está resolvida a morar no porão/vai ser o diabo/vamos ter sururu com vizinho/não estou pra isso, eu vou dar o fora/decididamente vou morar sozinho/É minha sogra, mas tenha paciência/não há quem possa com essa jararaca/meu sogro foi de maca pra assistência/com o corpo todo retalhado a faca/mas comigo é diferente/não tenho medo dessa cara feia/pego na pistola, desperdiço um pente/ela descansa e eu vou pra cadeia...’’
E o ‘‘politicamente incorreto’’ também impera nos bailes carnavalescos de hoje: ‘‘Tiraram o coração da minha sogra/botaram o coração de um jacaré/sabe o que aconteceu/a velha se mandou/e o jacaré morreu...’’. Pura gozação. Já o cantor e compositor Nerino Silva resolveu tomar as dores das vítimas dessas brincadeiras musicais: ‘‘Eu gosto da minha sogra/deixa falar quem quiser/ela é avó dos meus filhos/e é mãe da minha mulher...’’ - e por aí vai. Mas quem joga pesado, mesmo, são os motoristas de caminhão, como se pode perceber ao ler A Sabedoria dos Pára-Choques, de Santos C. Coloda e Antônio Coloda. ‘‘Sogra não é parente, é castigo’’, diz uma das frases colhidas pelos autores. Outra: ‘‘Porco magro e sogra gorda só dão prejuízo’’. E mais: ‘‘Casei com a cunhada pra economizar sogra’’; ‘‘Minha sogra é um formigueiro no jardim da minha vida’’.
Nem nas festinhas de aniversário elas escapam - as crianças adoram ‘‘língua de sogra’’. Mas será que as sogras são mesmo tão ruins e tão ‘‘linguarudas’’ ou tudo não passa de folclore? Se no folclore musical e na filosofia dos pára-choques elas sempre aparecem como vilãs dos genros, na vida real a situação é diferente em boa parte dos casos. Os pesquisadores Abrahão e Bertha Grinberg concluíram, em suas pesquisas, que é mais tumultuado o relacionamento entre a nora e a sogra.

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