Comportamento - Mulheres que lutam!
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quinta-feira, 03 de março de 2016
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Casa, trabalho, filhos, casamento... Não são poucas as atividades a que as mulheres se dedicam. Equilibrar todas as peças na balança sem enlouquecer e sem esquecer de si própria é um dos grandes desafios. Para ajudar a manter corpo e mente em harmonia, as artes marciais têm sido bastante procuradas pelas mulheres, que de quebra ainda encontram uma forma de aprenderem técnicas para defesa pessoal. Se o uso das técnicas é desaconselhado durante um assalto, pode ajudar a deixar alguém mais insistente longe na balada. Algumas se entusiasmam tanto que passam a competir.
Que o diga a protética Vivian da Costa Perdigão, que há quase três anos pratica muay thai. E se a intenção inicial era perder peso, agora ela se dedica a competições de kickboxing, tendo sido campeã brasileira na categoria Low kick. "Tinha engordado nas minhas gestações, queria emagrecer e também aprender a me defender. Eu já tinha tentado ir para a academia outras vezes, mas fazia pacotes e ia apenas duas vezes. Com o muay thai foi diferente, a filosofia do esporte me chamou a atenção. Comecei a baixar meu peso e isso me incentivou a treinar. Acabei perdendo 16 quilos", conta.
Com oito meses de treinamento, Vivian foi convidada para participar das competições de kickboxing e não parou mais. Hoje ela treina de segunda a sexta, e também aos sábados quando é época de campeonato. "Acho o muay thai um esporte completo, mexe com todas as partes do corpo e hoje virou a minha vida. Temos uma rotina no dia a dia e na aula esqueço de tudo. Saio suando, mas com uma sensação boa, a mente fica leve", garante.
A protética é tão dedicada ao esporte que acabou arrastando o marido - fiel apoiador da esposa - para as aulas. Os dois filhos do casal, de 10 e 4 anos, também praticam artes marciais. Enquanto o mais velho optou pelo jiu jitsu esporte pelo qual é apaixonado, o pequeno aprende judô, já que ainda é muito novo para aprender muay thai. Ela conta que o marido até se aventurou a competir, para entender o que ela sentia durante as competições, mas parou porque não teve outras oportunidades.
As competições, inclusive, já renderam momentos divertidos para a protética, como quando quebrou o nariz e foi ao hospital. "O médico me perguntou várias vezes se eu competia mesmo. Uma outra vez eu estava com o olho roxo e encontrei uma dentista conhecida. Ela ficou me olhando, olhando, até eu explicar que tinha me machucado em um treino."
Vivian, que já havia sido assaltada antes de começar as aulas, afirma que ter aprendido a se defender a deixou mais segura. "A recomendação é sempre não reagir, mas hoje tenho mais força e mais agilidade. A gente aprende onde e como bater", explica.



