Arquivo FolhaSegundo o psicoterapeta Ivan Capelatto, quando a criança não consegue introjetar o pai do mesmo sexo dentro de si, o amor homossexual não se resolve e prossegue em outras fasesA presença, a atenção, o afeto e o contato do pai do mesmo sexo são fundamentais na formação da identidade sexual da criança, que se dá na fase da latência, dos 6 aos 11 anos de idade. A latência prepara a adolescência e constrói a identidade final do indivíduo, principalmente no aspecto da sexualidade. É durante a latência que nos preparamos para nossas escolhas futuras.
Segundo o psicoterapeuta Ivan Roberto Capelatto, que esteve em Londrina ministrando palestra para pais e professores sobre sexualidade infantil, até os quatro anos e meio, a relação da criança com os seus é apenas sedutora. É só a partir dessa idade que ela começa a ter noção de seu amor pelos outros.
E o primeiro amor do indivíduo, o amor primário, é o amor homossexual. Só depois ele está pronto para o amor heterossexual (descoberto na adolescência) e o amor dirigido (auto-estima) na maturidade. Eis a explicação para o fato de, na fase da latência, ser comum meninos de um lado e meninas de outro. ‘‘Se a criança fica sem resolver esse amor primário, vai levá-lo para a adolescência e depois para a fase adulta’’, explica o psicoterapeuta.
Segundo Ivan Capelatto, nossa sexualidade não é anatômica nem química, mas psíquica. ‘‘Quando o indivíduo não consegue introjetar a figura do pai do mesmo sexo dentro de si, ele fica preso na fase da latência e parte em sua procura eterna por essa introjeção’’, diz.
ReproduçãoA atenção e o afeto entre pais e filhos são fundamentais na formação da identidade sexual
O papel de servir A criança precisa de muito beijo, muito abraço, muito colo dos pais, principalmente do pai do mesmo sexo, que deve procurar manter essa relação íntima com o filho, e a mãe com a filha. Além disso, é importante dividir com o filho do mesmo sexo, os problemas e as conquistas do dia-a-dia, contando inclusive histórias de sua infância, passagens de coisas boas e ruins que aconteceram com ele. Isso tudo cria um elo importante entre ambos.
Sobre os filhos de modo geral, Capelatto dá um recado importante. ‘‘Os pais devem evitar em transformá-los objetos de prazer. Somos nós que temos que fazer com que nossos filhos tenham prazer. Nosso papel é servir e sermos pacientes’’, observa.
A afetividade homossexual (que nessa idade não tem nada a ver com sexo), a necessidade do vínculo com o genitor sexualmente identificado, as neuroses da latência, a angústia do crescimento são características comuns nessa fase. É necessário que a ansiedade dos pais seja contida para evitar problemas. ‘‘A necessidade da identificação simbólica, o aparecimento de sintomas que indicam aspectos sublimatórios do desejo, como tiques, manias, medos, obsessões e compulsões são perfeitamente normais nessa fase’’, explica.
Capelatto lembra que é na latência que a criança tem noção do seu lugar de filho, é aqui que há a saída da relação edipiana. Também é nessa fase que ocorre com mais veemência a ambivalência quanto ao crescimento - ao mesmo tempo há o medo e o desejo de crescer.

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