Durante muito tempo a administradora Fabiane Souza de Medeiros teve problemas para ir a lugares públicos com seu filho. Mateus, hoje com 7 anos, protagonizava cenas clássicas de birra sempre que contrariado, chorando e se jogando no chão, para desespero da mãe.
"Ele tem dificuldade em ouvir ‘não’ e quando era contrariado chorava e gritava. Eu o pegava pela mão ou no colo, mas ele não parava. As pessoas percebiam que eu não sabia o que fazer. Eu ia embora, mas ele ia chorando no ônibus, era muito complicado", conta.
As birras do filho também chamavam a atenção dos vizinhos, para constrangimento da mãe, que afirma que o menino sempre se mostrou intolerante. "Desde bebê ele sempre foi muito bravo. Quando ficava irritado eu dava um banho de água morna para acalmá-lo. Também procurava conversar sobre o que tinha acontecido quando ele estava mais calmo, geralmente na hora de dormir. Falava sobre a importância de não fazer birra, mas é complicado, somos só nós dois. E eu ficava muito insegura", diz.
Fabiane conta que Mateus percebia como ela estava e se a mãe se mostrasse mais frágil, a birra ficava pior ainda. Já com pessoas estranhas ele tendia a ficar com vergonha, principalmente se alguém lhe chamava a atenção, e parava de chorar.
Há quatro meses Fabiane e o menino começaram a fazer terapia e Mateus também está fazendo acompanhamento médico há um ano. Segundo ela, o diagnóstico ainda está sendo fechado, mas aponta para Transtorno de Ansiedade e Deficit de Atenção.
"Agora o Mateus não se joga mais no chão, mas chora e fala sem parar quando quer algo. Procuro sempre fazer um ‘contrato’ com ele, sobre o que pode e o que não pode durante o passeio, mas é bem desgastante e às vezes acabo cedendo", reconhece. Uma tática usada pela mãe é combinar com o menino a "mágica" do dia. Todos os dias ela inventa alguma coisa, seja um doce, um passeio, algo feito por ela. Mateus só ganha a "mágica" caso tenha se comportado.
Mais aliviada, ela destaca como é difícil lidar com a situação e com o julgamento das pessoas. "Diziam que a culpa era minha. Tinha feito vários cursos e achei que estava preparada para ser mãe, mas no fim vi que não estava. Ainda não sei até que ponto ele faz birra e até que ponto (o choro) é pela condição dele. A psicóloga já me orientou sobre não valorizar os comportamentos ruins. Não posso dizer ‘não’ para ele o tempo todo, mas sei que se ceder ele vai continuar fazendo birra. Outra coisa que nos ajudou muito foi adotar um cachorro, ele melhorou bastante depois disso", aponta.

Imagem ilustrativa da imagem COMPORTAMENTO - Ganhando no grito
| Foto: Foto: Saulo Ohara
"Agora ele não se joga mais no chão, mas chora e fala sem parar quando quer algo", diz Fabiane de Medeiros, mãe de Mateus, de 7 anos; os dois fazem terapia há quatro meses
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