COMPORTAMENTO - Ganhando no grito
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Durante muito tempo a administradora Fabiane Souza de Medeiros teve problemas para ir a lugares públicos com seu filho. Mateus, hoje com 7 anos, protagonizava cenas clássicas de birra sempre que contrariado, chorando e se jogando no chão, para desespero da mãe.
"Ele tem dificuldade em ouvir não e quando era contrariado chorava e gritava. Eu o pegava pela mão ou no colo, mas ele não parava. As pessoas percebiam que eu não sabia o que fazer. Eu ia embora, mas ele ia chorando no ônibus, era muito complicado", conta.
As birras do filho também chamavam a atenção dos vizinhos, para constrangimento da mãe, que afirma que o menino sempre se mostrou intolerante. "Desde bebê ele sempre foi muito bravo. Quando ficava irritado eu dava um banho de água morna para acalmá-lo. Também procurava conversar sobre o que tinha acontecido quando ele estava mais calmo, geralmente na hora de dormir. Falava sobre a importância de não fazer birra, mas é complicado, somos só nós dois. E eu ficava muito insegura", diz.
Fabiane conta que Mateus percebia como ela estava e se a mãe se mostrasse mais frágil, a birra ficava pior ainda. Já com pessoas estranhas ele tendia a ficar com vergonha, principalmente se alguém lhe chamava a atenção, e parava de chorar.
Há quatro meses Fabiane e o menino começaram a fazer terapia e Mateus também está fazendo acompanhamento médico há um ano. Segundo ela, o diagnóstico ainda está sendo fechado, mas aponta para Transtorno de Ansiedade e Deficit de Atenção.
"Agora o Mateus não se joga mais no chão, mas chora e fala sem parar quando quer algo. Procuro sempre fazer um contrato com ele, sobre o que pode e o que não pode durante o passeio, mas é bem desgastante e às vezes acabo cedendo", reconhece. Uma tática usada pela mãe é combinar com o menino a "mágica" do dia. Todos os dias ela inventa alguma coisa, seja um doce, um passeio, algo feito por ela. Mateus só ganha a "mágica" caso tenha se comportado.
Mais aliviada, ela destaca como é difícil lidar com a situação e com o julgamento das pessoas. "Diziam que a culpa era minha. Tinha feito vários cursos e achei que estava preparada para ser mãe, mas no fim vi que não estava. Ainda não sei até que ponto ele faz birra e até que ponto (o choro) é pela condição dele. A psicóloga já me orientou sobre não valorizar os comportamentos ruins. Não posso dizer não para ele o tempo todo, mas sei que se ceder ele vai continuar fazendo birra. Outra coisa que nos ajudou muito foi adotar um cachorro, ele melhorou bastante depois disso", aponta.



