Se uma das suas resoluções de Ano Novo é planejar melhor as finanças a partir de 2015, já está mais do que na hora de começar. A Folha da Sexta foi ouvir o consultor de finanças pessoais e empresariais Charles Vezozzo sobre estratégias para equilibrar o orçamento e ainda sobrar dinheiro para poupar.
"O primeiro desafio é gastar menos do que se ganha", avisa o consultor, que ensina uma receita simples. "Quando se fala em planejamento, as pessoas imaginam planilhas sofisticadas, juros compostos, mas não precisa. Pegue um papel sulfite e divida em duas colunas, em um lado, escreva as receitas e, do outro lado, as despesas, lá embaixo encontre as duas para ver o resultado", diz Vezozzo.
"Até hoje eu faço isso. É preciso colocar no papel tudo que se gasta, não pode esquecer nada, nem sacolão, nem presentinhos ou uma saída". Para o consultor, seja uma poupança em casa – em cofrinho ou outra embalagem – ou em outros investimentos, "o princípio é o mesmo e é preciso estabelecer prioridades", diz.
Vezozzo lembra que são três grupos de importância quando se trata de prioridades. "No grupo A estão alimentação, moradia e saúde, que não tem como abrir mão. No B, estão as coisas que você pode até ficar sem. Não tem carro, vai de ônibus, mas é preciso ver caso a caso, porque, por exemplo, tem gente que precisa do carro para trabalhar. E no grupo C é o que você pode postergar. A poupança você pode postergar? Pode, mas eu recomendo que o ato de poupar seja colocado no grupo B porque se você colocar todas as suas despesas nas prioridades, não vai sobrar", diz.
"De forma muito prática, recomendo estabelecer as prioridades, sentar para planejar envolvendo a família e, em terceiro, aplicar os três Pês, de minha autoria. É uma maneira das pessoas se reeducarem em um ambiente altamente comercial", lista. "Não vejo problemas nas pessoas quererem consumir, desde que tenham bom senso. O problema do consumo é quando ele toma um rumo de descontrole em relação às finanças pessoais."
Segundo a regra dos três Pês criadas por Vezozzo, "antes de comprar é necessário fazer as perguntas - 'preciso disso agora?, por que comprar isso agora? e o terceiro P é posso pagar por isso agora?' Se for uma compra supérflua, no segundo P você já desiste", afirma. "Tenho uma frase em finanças que diz que óbvio não é quando eu sei, é quando eu coloco em prática", enfatiza Vezozzo.
Pai de três filhos, o consultor lembra que fez uma experiência de dois anos envolvendo toda a família. "Era para uma viagem para a Disney. Falei para meus filhos que em dois anos não iríamos viajar, nem sair, que a gente iria segurar e perguntei se eles topavam. Foi espetacular, primeiro pelo ponto de vista do aprendizado, segundo porque teve o gosto especial do esforço coletivo e em terceiro porque viajar em família foi espetacular e nós vimos os frutos que plantamos sendo colhidos", diz, inspirador.

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