Comportamento - Descobrindo talentos
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Futebol, judô, balé, inglês, mandarim, equitação, desenho, fotografia, robótica, alemão, piano, violão, canto, natação, gastronomia... A lista de atividades disponíveis para as crianças parece infinita. Se até algum tempo atrás o comum era meninos fazerem karatê ou judô e meninas fazerem balé, além do inglês para ambos, hoje os pequenos podem conhecer centenas de cursos, esportes e artes diferentes.
Nesse vasto mundo, como decidir o que é melhor para os filhos ou o que lhes dará mais satisfação? Como reconhecer os talentos e aptidões infantis? Muitos pais se sentem perdidos entre tantas atividades e não raro as próprias crianças desejam experimentar de tudo um pouco. Outras, desde cedo mostram inclinação para uma atividade específica.
Segundo a psicóloga especialista em neuropsicologia Cybele Pacífico, quando falamos em talento pensamos em algo intrínseco, mas na verdade pode ser algo aprendido e treinado. "Chamamos talento algo para o qual a criança se dá bem. Se ela for bem treinada, pode vir a se dar bem. Entretanto, se pensarmos em aptidão, podemos observar se a criança gosta de algo em específico, como de produzir sons, ou jogos de movimento ou jogos de raciocínio. Porém, também não podemos dizer que só porque a criança é agitada não irá gostar de xadrez", explica.
Cybele afirma que nos casos em que os pais buscam atividades com a finalidade de treinar determinadas habilidades nas crianças, é possível fazer adaptações. Assim, se uma criança com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) não tem paciência para o xadrez, por ser muito parado, ela pode vir a gostar de tênis, porque exige concentração ao mesmo tempo que é movimentado.
Outra recomendação importante é não sobrecarregar os pequenos. "Em parte o número de atividades vai depender da idade e se a criança tem maturidade. Algumas fazem duas atividades além do colégio e se dão bem, outras não dão conta", atesta a especialista.
Pensando no sucesso profissional dos filhos, muitos pais optam por matriculá-los desde cedo em diversas atividades. Mas será que há uma idade certa? Cybele afirma que algumas delas, como a natação, contemplam desde os bebês, outras vão depender das condições da criança de acompanhar aquilo. "Não há uma idade específica, o importante é que a criança esteja em uma turma adequada para a idade dela. Em alguns casos ela pode não gostar de fazer algo porque é muito nova, mas pode vir a se interessar anos depois, já mais madura", aponta.
Saudável curiosidade
Enquanto algumas crianças desejam fazer muitas atividades, outras aparentam não ter vontade nenhuma. Há aquelas que persistem e acabam dedicando grande parte da vida para algo e outras que conhecem muitas coisas e não param em nada. Cybele explica que a curiosidade é algo saudável até certo ponto, mas se os pequenos começam várias coisas e não terminam, é preciso investigar se é por conta do excesso de atividades ou se a criança está seguindo uma moda.
"Os pais precisam incentivar para que ela não abandone. Se a filha faz balé mas eles nunca vão nas apresentações, ela pode se sentir desestimulada. A criança não precisa gostar de tudo, mas quando quer algo novo deve fazer uma aula experimental, investigar como aquilo funciona para ter uma perspectiva do que vem, para não se frustrar. Também é preciso ter tempo livre para brincar, para fazer tarefas. Outra alternativa é fazer determinadas atividades durante as férias, em um curso mais curto e combinar que, se ela realmente gostar daquilo, pode tentar a atividade em outra época."
Para aquelas que não se interessam por nada, buscar atividades parecidas com o perfil da criança mais agitada ou mais tranquila e levar um amiguinho junto podem servir de incentivo. "Mas é bom não forçar, porque ela pode criar aversão. Porém, se for algo que a criança precisa fazer, como um exercício físico, os pais podem tornar aquilo mais satisfatório, procurando fazer depois do exercício algo que a criança goste muito", ensina.


