Qual mãe nunca passou pela experiência de ter que negociar com o filho a roupa a ser usada na hora do passeio? Ou viu o pequeno fazer a maior bagunça na tentativa de comer sozinho, mesmo sem muita coordenação motora ainda? Cada vez mais espertas e autônomas, ainda pequenas as crianças estão sendo capazes de colocar sua vontade e fazer escolhas.

Entretanto, em quais atividades nossos filhos estão aptos a fazer escolhas e em quais ainda precisamos decidir por eles? Com que idade eles podem começar a agir segundo sua vontade? Segundo a psicóloga e psicopedagoga do Instituto Innove, Carina Costelini Isper, já a partir de um ano de idade os pequenos estão preparados para ajudar em determinadas tarefas, segundo seu desenvolvimento motor e a maior ou menor complexidade (veja quadro).

Ela ressalta também que a autonomia é um comportamento aprendido e, portanto, deve ser ensinado desde cedo pelos pais, de forma gradativa. "Fazer tudo pela criança e, de repente, exigir que ela seja autônoma, pode criar uma situação extremamente frustrante e estressante para pais e filhos. Se você quer ensinar seu filho a escolher as próprias roupas, comece dando duas opções e vá aumentando, até que ele consiga fazer a escolha sem ajuda. Quando mostrar as opções, procure descrever e direcionar: 'hoje está frio e estou separando duas blusas de manga longa para que você possa escolher qual usar'", recomenda.

Para Cintia Barbizan, psicóloga especialista em neuropsicologia do Instituto Innove, a criança que aprende a realizar as atividades que são importantes para sua rotina torna-se mais autoconfiante e capaz de resolver as situações, desenvolve sentimentos de independência, segurança e confiança, tornando-se menos ansiosa e insegura diante de situações que exijam escolhas, pois aprendeu que é capaz de fazê-las.

Algumas decisões, entretanto, ainda são de competência dos pais. "Algumas escolhas, quando não acarretam consequências sérias, a criança pode e deve fazer, porém, as mais importantes devem ser feitas pelos pais, já que os critérios envolvidos na decisão fogem do que uma criança pode avaliar. A escolha da escola é um exemplo disso", pondera Carina.

Para Cintia, os pais precisam dosar a autonomia de acordo com a possibilidade do filho realizar certas tarefas e sempre supervisionar o que eles fazem. "Uma criança de 5 anos, por exemplo, conseguirá trocar-se sozinha, mas pode acontecer de colocar a blusa ao contrário, não lavar as orelhas no banho, não escovar corretamente os dentes. Por isso, a importância de os pais estarem presentes para fazer a supervisão da forma como o filho realiza essas atividades, valorizando o comportamento autônomo, mas orientando a forma correta de ser feito. Ao deixar que a criança faça sempre sozinha, os pais podem escorregar na falta de cuidados com os filhos", alerta.

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