Quando Isildinha Bueno Barbosa, de 58 anos, atendeu o telefone de casa há mais de 30 anos, não imaginava que iria conhecer o amor da sua vida. "Eu estava em casa fazendo meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) quando o telefone tocou." Do outro lado da linha estava um rapaz que havia discado um número aleatoriamente na tentativa de que alguém o ajudasse a preparar um macarrão. "Ele disse que estava sozinho em casa com o sobrinho e precisava fazer macarrão. Perguntou se eu podia lhe ensinar e na hora pensei ser trote. Mesmo assim passei a receita e desliguei o telefone."

Dias depois, o mesmo rapaz voltou a ligar para agradecer a ajuda e os dois passaram a conversar. "Ele me ligou numa quarta-feira e depois retornou no sábado para agradecer. Perguntei se tinha dado certo a receita, ele disse que sim e ficamos conversando." Pouco tempo depois, Isildinha e o rapaz marcaram um encontro e se viram pela primeira vez. "Me lembro até hoje. Fomos a um barzinho, perto do lago Igapó e ficamos uns 15 dias assim, saindo e nos encontrando até que começamos a namorar."

Hoje, Isildinha e Edson Bueno Barbosa, o rapaz do telefone, comemoram os quase 35 anos de união com três filhos e um neto. "Lembro que na época em que ele me ligou minha irmã vivia falando que eu tinha que sair mais de casa para tentar conhecer alguém, que o amor não ia bater na minha porta."

As coincidências não param por aí. Depois de um tempo namorando enquanto conversavam sobre a família, Isildinha e Edson descobriram mais um fato inusitado que os unia. "Uma vez durante uma conversa eu contei para ele que morei em Terra Nova com meus pais. NesTe dia, ele lembrou que passou um tempo na cidade com a família e que se apaixonou por uma menina de cabelos compridos que passava todo dia em frente à igreja. Acabamos descobrindo que essa menina era eu e que ele nunca havia falado comigo porque na época eu tinha um outro paquerinha na cidade", conta Isildinha.

Da época em Terra Nova, Edson chegou a escrever poemas para Isildinha, sem imaginar que anos mais tarde iria reencontrar seu amor de adolescência graças a um telefonema aleatório. "Depois de quase dez anos eu pude ler os poemas que ele escreveu para mim e ainda tinha guardado." Para Isildinha, a história dos dois já estava escrita. "Foram muitas coincidências. Acho que era para acontecer."

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