Comportamento - Cozinheirinhos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de novembro de 2015
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Enquanto a maioria das crianças volta dos Estados Unidos encantada com a Disney, o Mickey e cia., Natália Yukie Miyazawa desembarcou no Brasil com uma paixão bem diferente. "Há uns dois anos fui para os Estados Unidos e descobri os cafés diferentes da Starbucks", lembra Natália, que na época tinha 11 anos. Desde então, ela vem estudando o assunto e fazendo cursos específicos na área.
"Eu já gostava de café porque a minha mãe sempre fez aqui em casa", conta a menina, que tem predileção pelo café coado com gelo. "O tipo de café que ela gosta é forte até para o meu paladar", conta a mãe, Beth. "Mas a Natália, desde pequena, sempre teve paladar e olfato aguçados", lembra.
Sobrinha do chef pâtissier Vitor Tsuji, Natália aproveitou as dicas dele para chegar até o Coffee Lab, misto de escola de baristas, laboratório de café e cafeteria.
Para fazer o primeiro curso de café caseiro, no ano passado, Natália precisou da companhia da mãe durante as aulas. No curso de drinks com café este ano, ela já pode ir sozinha. "Aprendi outras técnicas e também como harmonizar o café com sorvete, frutas cítricas e água tônica", explica Natália.
Durante a semana, a agenda dela é bem recheada de programação escolar. Mas assim que chega o final de semana, Natália corre para a cozinha preparar bebidas à base de café. Quem se favorece são as visitas da casa. "O café é por conta dela", sorri a mãe. No ano que vem, Natália deve encarar o curso de barista júnior da escola de Isabela Raposeiras, idealizadora do Coffe Lab.
"O que mais eu ouço? Ah, que sou muito nova para gostar de café", explica Natália. Contando com o apoio e incentivo dos pais, ela segue se aventurando na cozinha. Seu arsenal já conta com um moedor de grãos de café, uma cremeira italiana e grãos selecionados. Mais do que saber vários métodos de preparo e os tempos de moagem de cada grão, Natália avisa que "é preciso ter criatividade para criar um bom café".
Basta ligar a televisão para perceber que Natália não está sozinha nessa dedicação precoce à gastronomia. A versão Júnior do reality Master Chef, transmitido atualmente pela Band, mostra chefs mirins preparando pratos elaborados. As peripécias das crianças andam inspirando outros pequenos a se aventurar na cozinha.
Para o chef pâtissier Vitor Tsuji, no Brasil ainda há muito medo de deixar as crianças usarem faca e fogo. "No Japão (onde o chef fez os cursos de confeitaria e de instrutor de educação alimentar), as crianças têm aulas de culinária desde cedo na escola", explica. Em janeiro, Tsuji deve repetir o curso para crianças de 5 a 12 anos. Mais do que ensinar os pequenos a fazer cupcakes ou macarrons, o chef quer transmitir também o respeito aos alimentos.
Antes mesmo de estrear o Master Chef Júnior, o curso Cozinheirinhos, do IGA, em Londrina, já tinha uma turma recheada de chefs em potencial. Sob o comando da professora Erika Aline dos Santos, crianças e adolescentes de 8 a 16 anos passaram cerca de oito meses se reunindo semanalmente para duas horas de aulas de gastronomia. A própria Erika deve aparecer na telinha nos próximos meses, em sua participação reality gastronômico (a ser divulgado em breve).
Com experiência de quatro anos trabalhando com o público infanto-juvenil, Erika também ensina adultos. Sobre as aulas com os chefs mirins, "é mais difícil e não é", diz. "São mais bagunceiros", entrega a professora, que vai formar 15 cozinheirinhos nos próximos dias. "Com supervisão de um adulto, os alunos já dão conta de preparar um almoço para 10 pessoas", avisa.
Lavar a louça e deixar a cozinha em ordem acaba sendo a tarefa mais difícil para os aluninhos. "Mas eles aprendem que não podem cozinhar na bagunça e que todo cozinheiro tem que lavar a louça", ensina Erika. A sala de aula é a mesma usada pelos cursos de adultos. "Então eles (alunos) se ajeitam na cozinha, como se ajeitam em casa", diz. "Aqui aprendem que não é só misturar tudo dentro da panela", completa.
Para os pais, segundo Erika, a surpresa fica por conta da mudança de paladar das crianças. "Aprendem a fazer e a gostar de salada", garante. As receitas vão do pão à sobremesa, com direito a aulas de etiqueta e postura. "É um processo de oito meses", diz.






