COMPORTAMENTO - Construindo valores
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quinta-feira, 12 de março de 2015
Bruna Quintanilha<br>Reportagem Local 
A questão é complexa e muitas vezes polêmica: a educação de crianças e adolescentes é responsabilidade dos pais ou dos educadores? Para o psicoterapeuta Ivan Capelatto, que esteve em Londrina a convite do Colégio Universitário para dar uma palestra sobre o assunto, é preciso que haja uma parceria entre ambas as partes. "Hoje a família sozinha não dá conta, pois ela está muito fora de casa. Por isso, para que o desenvolvimento seja completo é necessário a participação dos educadores e pais em conjunto. Todos entendendo e percebendo o que a criança precisa e o que lhe faz mal".
Segundo Capelatto, essa união é importante pois as crianças precisam de boas referências. "Quando não há referência familiar ou a referência da escola, as crianças e os adolescentes buscam valores em outros lugares. É uma fase do desenvolvimento humano buscar valores e se identificar." Conforme o psicoterapeuta, é através dessas referências que as crianças e jovens vão desenvolver seus valores. "A criança nasce com uma estrutura psíquica que tem que ser desenvolvida. Agora, ética e valores como honestidade, lealdade e empatia devem ser criados e recebidos do outro."
Quando isso não ocorre, de acordo com Capelatto, os jovens passam a buscar as referências e os valores em grupos. "Vivemos uma banalização do mal. Crimes, bullying, roubos, furtos, tudo isso corre muito próximo das crianças. Essa banalização traz um risco para o desenvolvimento da personalidade, quando há a ideia de identificação com o mal", explica. "É o caso do Estado Islâmico, por exemplo. Hoje, vemos um monte de jovens que estão se juntando a esse grupo por se identificarem com ele, já que o mal virou um valor."
Capelatto explica que a questão dos valores está diretamente ligada ao desenvolvimento da cidadania. "A cidadania se constrói quando existe um sentimento de pertinência com uma cidade, comunidade ou país, mas esse sentimento de pertinência é recheado de valores. A falta de valores impede a pertinência e a pertinência impede a cidadania. É um ciclo complicado e venenoso para a sociedade."
O psicoterapeuta explica ainda que é possível perceber quando a falta de valores está afetando as crianças. Ele alerta que os sinais podem variar de acordo com cada fase de desenvolvimento. "Os primeiros sintomas ocorrem aos dois ou três anos de idade, quando a criança começa a mostrar uma resistência muito grande a receber limites dos pais. Ela não aceita os limites e passa a agredir o pai e a mãe e até se autoagredir." O segundo sintoma ocorre por volta dos 9 ou 10 anos, quando a criança começa a cometer pequenos delitos. "Coisas do tipo: roubar o apontador do colega ou o dinheiro da carteira da avó. A mentira também é uma coisa muito complicada."
Já quando os sinais persistem e reaparecem dos 14 aos 18 anos, Capelatto explica que a "recuperação" do jovem é mais complicada. "Quando os delitos continuam e o sujeito passa a mudar muito de estilo, por exemplo, é um sinal que aquele jovem não construiu uma personalidade. Nesse caso é preciso buscar ajuda e se entregar por muito tempo para ajudá-lo, já que ele já está usando os valores da sociedade e não os dele."



