COMPORTAMENTO - Beleza além da visão
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quinta-feira, 03 de setembro de 2015
Adriana de Cunto<br>Reportagem Local 
A partir de uma entrevista que ouviu em um programa de rádio, o top maquiador Marcos Costa tirou inspiração para um trabalho voluntário que ajuda a melhorar a autoestima de muitas mulheres. O ano era 2008 e pela rádio, deficientes visuais contavam suas dificuldades. Uma das entrevistadas reclamou que não recebia atenção da sociedade. Foi aí que o maquiador oficial da Natura, acostumado a trabalhar com beldades como Gisele Bündchen, Ana Hickman e Letícia Sabatela, encontrou uma maneira de levar os segredos dos blushs, sombras, bases e rímel para mulheres cegas ou com baixa visão. "Eu venho de uma família que sempre ajudou, sempre fez alguma coisa pelos outros. E eu também queria fazer alguma coisa para as pessoas. Foi quando decidi dar aulas de maquiagem para cegas", contou. Foi assim que nasceu o curso gratuito "Maquiagem Para Todos".
Marcos Costa iniciou sua carreira aos 16 anos, em Goiânia, cidade onde nasceu. Hoje ele participa dos principais eventos e editoriais de moda do Brasil. Também trabalhou na Europa e nos Estados Unidos. A primeira aluna do "Maquiagem Para Todos" foi uma vizinha de Marcos Costa, que era totalmente cega. A moça gostou tanto da experiência que chamou um grupo de amigas para participar e assim foi formada uma turma, com 15 pessoas.
De 2008 pra cá, o maquiador já perdeu as contas de quantas alunas passaram pelo seu curso de automaquiagem para cegas ou pessoas com baixa visão. Ele calcula que mais de 700 mulheres participaram das aulas, que podem acontecer tanto na casa de Marcos Costa quanto na residência de uma das alunas ou na Fundação Dorina Nowill, em São Paulo. "Não é um projeto, é uma iniciativa", frisou Costa, lembrando que o curso de automaquiagem não tem vínculo com empresas ou institutos.
Marcos Costa gosta de usar os dedos para passar maquiagem e acredita que essa técnica ajuda muito as deficientes visuais, por conta do tato. O curso é bastante informal e o número de aulas depende do aproveitamento das alunas. A última turma demorou quase um ano. "Uma aluna contou que não conseguia se maquiar, que ficava com o rosto todo borrado. Eu disse que ela não precisava se preocupar porque muitas mulheres que enxergam também ficam com o rosto borrado", brincou.
Segundo ele, as alunas aprendem de acordo com o ritmo delas. "Tudo é com calma. Eu começo com a preparação da pele. Elas podem usar tudo. Depois, eu vou para os olhos, que é uma parte bem sensível para elas. Só depois começam a usar os pincéis. O mais legal é que elas não vivem mais sem as aulas. É muito gratificante", afirmou
Mulheres de 15 a 80 anos já passaram pelo curso, que funciona como uma ferramenta para melhorar a autoestima e ajudar na inclusão das deficientes visuais. "Tem meninas modernas. Tem meninas mais simples. O nível socieconômico também é heterogêneo", disse o maquiador.
Ele lembra que muitas mulheres ficaram cegas depois de adultas e, antes da doença se manifestar, elas costumavam usar maquiagem. Marcos Costa cobra que as alunas usem também esmalte e arrumem o cabelo. "Eu procuro passar o que eu sei pra elas. O meu trabalho não é um trabalho, é uma vocação."



