COMPORTAMENTO - Ao sabor do vento


Karla MatidaReportagem Local
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"Não sei qual a maior prova de amor, se foi a dele de ter se preocupado comigo e colocado meu nome na lista ou se foi a minha, de ter aceitado", brinca a fotógrafa Danielle Yamanaka sobre a decisão do marido, o advogado Paul Kelter, de inscrever o casal em um projeto experimental de corredores.
"Já fazia uns três anos que falávamos em deixar o sedentarismo, até que uma madrugada vi o e-mail da Unimed sobre o grupo de corrida e, à revelia dela – estávamos em cidades diferentes – nos inscrevi. E ainda escolhi o horário, às 6 da manhã", lembra Kelter.
Treze meses depois de terem dado os primeiros passos acelerados, o casal já contabiliza 10 e 11 provas, incluindo uma off-road. "Corri uma a mais", lista o advogado, mas quem, segundo ele, curte os números e os cálculos de tempos e percursos é Danielle. "Ela já está ambiciosa com as classificações", diverte-se.
"Com colesterol alto e quase diabético", como bem lembra o engenheiro Laerte Marengo Filho, a busca por saúde o levou para o Clube da Corrida, do personal trainer e instrutor de corrida Claudio Bertolino. Um dos pioneiros do clube – que está às vésperas de completar 10 anos –, Marengo conta que começou a correr por acaso e não parou mais.
"Já foram sete maratonas e oito meias maratonas. As corridas de cinco e 10 quilômetros perdi a conta de quantas foram", lista o engenheiro. "Nunca imaginei que fosse capaz, mas nada é impossível. O segredo é treinar e ter uma boa alimentação", ensina. Para Marengo, entre as vantagens da corrida está o fato de que "você faz seus horários, não depende de ninguém, é mais prático".
Mesmo podendo correr sozinho, o engenheiro encontrou no Clube bons companheiros para os treinos. "Dependendo do foco da competição, faço 80 quilômetros por semana, mas em geral são 50 quilômetros", diz. Desde a primeira maratona, em 2012, em Porto Alegre, Marengo já percorreu os 42 quilômetros em Nova York e Las Vegas.
Os bons resultados acabaram atraindo amigos e familiares. "Como estou indo bem, eles se incentivam", afirma. O incentivo mútuo também ajuda Danielle e Paul para acordar às 5h30 nos dias de treino e terminar as provas. "Quando você começa, acha que não vai dar, não vai conseguir", explica o advogado. Pois bastaram três meses de treino para o casal se inscrever em uma prova de cinco quilômetros.
"Os corredores se ajudam, há uma preocupação com os outros", conta Kelter sobre a solidariedade que encontrou tanto no grupo que participa quanto durante as competições. "Além disso, é o esporte mais democrático que existe", garante. O instrutor Claudio Bertolino concorda com o caráter democrático, "a questão técnica é muito fácil de desenvolver", avisa.
"É uma atividade em grupo com caráter individualizado", define Bertolino, sobre os grupos de corrida. Atleta, ele compete na categoria master e dá sequência de 35 anos de prática esportiva. Ao voltar para Londrina depois de uma temporada de trabalho em São Paulo, Bertolino criou, há cerca de 10 anos, o Clube da Corrida.
"Há três meses mudei o modelo e agora atendo no Aterro (Igapó) e lá monto a estrutura", conta. Segundo o instrutor, "são vários perfis de alunos, tem os que querem perder peso, os que buscam manutenção da saúde e os que querem participar de provas. Mas os objetivos vão mudando com o tempo." Bertolino diz que 90% das mulheres que o procuram querem perder peso. "Os homens buscam mais o alívio do estresse."
Nos quase 10 anos de existência, o Clube contabiliza mais de 150 pessoas que já correram 10 quilômetros, 100 que participaram de meias maratonas e 30 que correram maratonas. "O ponto chave da corrida é que os parâmetros são palpáveis. Começa com três quilômetros, passa para cinco e depois 10", explica o instrutor, que ressalta a vontade dos corredores de não só aumentarem o percurso como melhorarem o tempo.

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Foto: Divulgação



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Danielle Yamanaka e o marido Paul Kelter: incentivo mútuo para treinar bem cedinho



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Fotos: Lis Sayuri
Com 35 anos de prática esportiva, Claudio Bertolino (à frente) criou há 10 anos o Clube da Corrida: "É uma atividade em grupo com caráter individualizado"





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Em busca de saúde, Laerte Marengo Filho passou a correr e hoje tem no currículo a participação nas maratonas de Nova York e Las Vegas

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