"Mais vale um bom vizinho que um parente." É relembrando o provérbio popular que Ana Regina Maia define a relação dos moradores da rua onde mora. Em uma época em que a maioria das pessoas mal sabe o nome dos vizinhos, quem ainda mantém um relacionamento de amizade com as pessoas das casas ao lado, garante que o convívio só traz benefícios. Na rua de Ana Regina, por exemplo, são mais de 30 famílias que se reúnem constantemente em jantares, churrascos e vários outros eventos.
"No primeiro jantar em que eu fui já recebi um convite de casamento", conta aos risos Rosane Barros, vizinha de Ana Regina. Ela e o marido, Eduardo contam que desde o início se sentiram "em casa" na companhia dos vizinhos. "São sempre encontros informais, com o objetivo de nos conhecermos e nos divertirmos mesmo. Cada um leva a sua bebida, alguma coisa para comer e pronto", conta o casal. Todos os meses, os vizinhos da rua 5 de um condomínio de Londrina, carinhosamente chamada de "Quinta Avenida" pelo grupo, promovem uma festa para os aniversariantes do mês. Porém, o encontro mensal não impede que outras comemorações sejam feitas.
"Fazemos um rodízio de casas. Por isso, todo mundo já visitou a casa do outro", comentam Maria Luiza e Edison Marcos Tomaz. O casal é responsável pela já tradicional festa árabe da rua. "Todo ano tem e todo mundo vem a caráter", explica Maria Luiza. Para facilitar a organização dos eventos, os amigos criaram um grupo no Facebook e outro no WhatsApp. "Nossa rua já é famosa aqui e até em outros condomínios", diz Rosane que acrescenta: "O grupo é bem aberto, já temos alguns agregados de outras ruas e sempre está chegando gente nova."
Para Tatiana Maia, outra moradora da "Quinta Avenida", o fato da rua não ser muito grande ajuda na aproximação das pessoas. "Não faz muito tempo que moro aqui e escolhi o local justamente pela rua ser pequena. Acho essa proximidade entre os vizinhos fantástica". Segundo os moradores, a relação vai muito além das festas. "Quando alguém viaja, o pessoal ajuda com os bichos ou em qualquer outra situação. Eu mesma já fui acudida pelos vizinhos", conta Eloísa Hamasaki. Exemplos de companheirismo não faltam: "Uma vez um vizinho cortou o dedo, estava sem a família e veio bater na porta de casa para levá-lo ao hospital", recorda Luiz Shiroma. "Há uma relação de confiança entre todo mundo", complementa Mity, esposa de Shiroma.

Imagem ilustrativa da imagem COMPORTAMENTO - Amizade além do muro
Moradores da "Quinta Avenida" garantem que relação vai muito além das festas
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