Compêndio recebe elogios e críticas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de novembro de 2005
Folhapress 
Ambrangente, útil, mas falho. Dois linguistas ouvidos pela reportagem concordam que o ''Ethnologue'' é o mais amplo estudo do gênero existente, mas apontam deficiências. Para o professor Aryon Rodrigues, 80 anos, da Universidade de Brasília, o catálogo é ''o maior inventário de línguas do mundo, o que não se pode desprezar''. Mas tem equívocos, como incluir o cafundó como língua, sendo este um código que mistura português e quimbundo, idioma africano, em comunidades quilombolas remanescentes.
O linguista Eduardo Ribeiro lembra que, até a edição anterior do ''Ethnologue'', o ofaié era listado como fala já extinta. ''Isto porque a linguista Sarah Gudschinsky esteve lá nos anos 50 e achou que havia entrevistado o último falante de ofaié'', conta. Segundo Ribeiro, outra língua indígena brasileira, o caingangue, do interior de São Paulo, também é dada como extinta, embora não esteja. Para ele, o ''Ethnologue'' sofre com a falta de diálogo com a comunidade acadêmica local, e, sobretudo, com o viés ideológico.
''A maioria dos linguistas da América do Sul acha que não é uma fonte confiável pois se trata justamente de uma instituição de missionários, que não está interessada na diversidade cultural, mas, sim, em que todos tenham uma mesma crença. E os ritos religiosos estão intimamente ligados às falas'', diz Ribeiro.


