Companhia para todas as horas
Na casa da professora aposentada Cibele Ribeiro Bonesi, de 78 anos, quase todos os netos são adultos, mas nem por isso a animação é menor. Mãe de quatro filhos, ela é avó de Cibele, de 26 em homenagem à avó, explica toda coruja -, Gabriel, de 26, Gustavo, de 25, Matheus, de 25, Mariana, de 24, Lucas, de 24, Otávio, de 22, e Beatriz, de 9. Se oito netos já são motivo de muita alegria, há seis meses Cibele tornou-se bisavó de Catarina, filha de Gabriel.
"Foi uma alegria muito grande ser avó, e ser bisavó também é muito bom. A gente é meio responsável por essa vinda", diz ela, referindo-se ao fato de serem descendentes de seus filhos.
Animação é o que não falta para essa avó, que há 23 anos participou de uma matéria da FOLHA sobre o Dia dos Avós. Cibele afirma que de lá para cá a empolgação só aumentou. "Ganhei mais dois netos e a Catarina", justifica.
Ela diz que quando crianças os netos sempre passaram muito tempo com ela, principalmente os meninos, que ficavam o final de semana em sua casa. Viúva há 20 anos, Cibele diz que a convivência dos netos com o avô foi curta, mas que o marido sempre foi muito carinhoso e fazia o tipo de avô mais "tradicional". "Ele era mais suave do que eu e sempre trazia doces, amendoins e outras coisas que as crianças gostavam. Os netos gostavam bastante dele também", relembra.
Muito ativa, Cibele não corresponde exatamente à ideia de avó que muitos pensam quando se fala em alguém com a idade dela. A neta caçula, juntamente com a mãe, mora com ela e é a vovó quem leva Beatriz para a escola e outras atividades. "Minha filha trabalha em outra cidade e por isso sai cedo e só volta no final do dia, então eu fico com a Beatriz."
Os outros netos também moram próximos e não raro, segundo ela, todos se reúnem para um churrasco, sem motivo especial. "Meus avós eram muito carinhosos, mas não faziam o que eu faço com os meus netos. Eu sei dos namoros, nós bebemos cerveja juntos. Nos respeitamos e temos uma intimidade muito grande. Eu sou muito liberal, sou muito amiga e por isso tem coisas que eles contam para mim e não para os pais", diz.
Ela afirma, entretanto, que também é enérgica e nunca deu liberdade total para as crianças. A educação dos netos, um motivo de conflito entre alguns pais e avós, nunca foi problema entre Cibele e seus filhos. "Nunca interferi na educação. Se o pai ou mãe falou, estava falado. Até conversava depois com eles (pais), mas não passava por cima. Com a Beatriz até sou mais enérgica do que a mãe dela. Com os meus filhos eu sempre fui brava também, sempre dei liberdade, mas com limites", garante.
Para o futuro, a vovó espera ganhar mais bisnetos e também poder se orgulhar mais ainda dos netos. "Fico feliz com o que eles conquistaram, com suas profissões, com os estudos. É muito gostoso ver que eles se tornaram adultos e continuam firmes, trabalhadores, estudiosos. Devo ter feito uma parte boa na formação deles, na moral e na personalidade", finaliza. (E.G)





