Os motivos não são bem certos, mas não podemos negar que a relação de pais e filhos está muito diferente do que era antes e algumas pessoas não sabem direito como lidar com essa mudança. O que se vê são pais confusos sobre vários assuntos e filhos insatisfeitos.
Para o psiquiatra Augusto Cury, a chave para um bom relacionamento é a desmistificação da figura dos pais. ''Antigamente, o pai era visto pelo filho como um héroi intocável. Hoje, o importante é trocar experiências e mostrar que os pais também cometem erros. Um pai não pode ter vergonha de pedir perdão a um filho, de se mostrar falível. Isso aproxima e torna a relação mais leve'', garante. Conseguir preparar os jovens para os desafios da vida moderna também é um ponto considerado importante para o especialista. ''Digo que bons pais preparam os filhos para o sucesso; pais brilhantes preparam os filhos para encarar o fracasso, as decepções'', ensina.
E fazer isso significa punir quando necessário e saber entender os deslizes. ''Ouvi uma história de um pai que agiu de maneira exemplar. Sua filha de dez anos foi pega furtando uma mercadoria de pouco valor em um supermercado. Chamado pela segurança do lugar, ele simplesmente abraçou a filha e a levou embora. A menina já tinha sofrido bastante com a humilhação de ter sido pega furtando. O pai conversou com ela, mostrando que aquilo era errado e até hoje a menina agradece seu ato'', conta.
Agir dessa maneira, fazendo com que os fihos percebem por si só o que não deve ser feito é, para o especialista, a melhor maneira de evitar problemas comuns da adolescência. ''Quando um jovem faz parte de um grupo de amigos que decidem consumir drogas, por exemplo, ele se sente forçado a usar. Se tiver personalidade e souber explicar suas decisões e discordar da maioria, ele irá dizer não e será respeitado pelos demais'', garante. (H.F.)

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