Verônica Kato estudou durante 10 anos na Europa e nos EUA para se tornar uma perfu­mista, já que no Brasil não existem escolas do gênero. Formada em Farmácia-Bioquímica, ela começou a estudar na Alema­nha e fez estágios em perfu­maria na França e na Inglaterra.
Como perfumista exclusiva da Natura, ela é responsável pela criação do "coração" de um perfume, isto é, o cheiro que imprime a assinatura olfativa. Hoje, existem no mundo 2,5 mil matérias-primas, entre naturais e sintéticas. A partir desse material olfativo, a perfumista vai combinar os cheiros, já que precisa memorizar tudo.
O brasileiro, segundo Verônica, gosta de notas mais "limpas", que remetem ao frescor e à sensualidade, devido às carac­terísticas de nosso clima. Na Europa, as pessoas carregam mais em notas florais e amadeiradas. A preferência dos europeus, aliás, parece res­ponder as dúvidas de muita gente quanto ao mito da fixação de perfumes. Não existe um componente fixador nas formulações elaboradas. "Moléculas grandes fixam mais à pele, por isso os perfumes amadeirados permanecem por mais tempo", argumenta Monica Pinotti, avaliadora olfativa da Natura.
A partir das reclamações sobre o tempo de fixação dos perfumes nacionais, teoricamente inferior aos itens importados, foi feita uma pesquisa com consumidores que testaram fragrâncias da Natura sem co­nhecer a procedência do produto, e concluíram que os perfumes apresentaram grande poder de fixação. "Ainda existe preconceito com a perfumaria nacional. O que mantém o cheiro é o tamanho das moléculas e a porcen­tagem das fragrâncias", disse ela, durante o lançamento da linha Amós, da Natura, em evento para jornalistas realizado em Porto Alegre, no início desta semana.

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