A palavra home theater já foi incorporada ao cotidiano dos brasileiros. Hoje, são muitos os que capricham na pronúncia, anunciando em alto e bom som que têm ou querem um ambiente assim em casa. ''Trata-se de um conceito de cinema: é a sala do espetáculo, com máxima qualidade de imagem e som'', diz Josias de Moraes Cordeiro Júnior, especializada em home theaters e sistemas de automação, de São Paulo.
Em tempos de violência, nada melhor do que apostar na idéia. Mas o sucesso da realização depende de algumas adaptações no ambiente para comportar os elementos de áudio e vídeo, impedindo que a sala que acomoda o ''cinema'' e até o apartamento do vizinho trepidem ao som do tiroteio de um faroeste, por exemplo.
O primeiro passo é escolher os modelos corretos entre vários tipos de equipamentos, com potências e definições diferentes. Os elementos básicos são uma TV com tela grande (a partir de 34 polegadas) ou um telão com projetor (que se aproxima ainda mais do cinema de verdade); o DVD; um videocassete, útil para a coleção de fitas em VHS; um sistema de sonorização de qualidade; um receiver (espécie de gerenciador de sons); um subwoofer (outra caixa encarregada de emitir os sons graves, que, segundo os experts no assunto, dão toda a sensação de envolvimento com a ação); cinco caixas de som e, claro, um confortável sofá, de preferência, com pufês na frente para esticar as pernas.
Para um projeto modesto porém, eficiente feito com economia, a dica de Roberto Molnar, diretor da empresa que leva seu nome e instala sistemas de automação de áudio, vídeo e iluminação, é optar pelos chamados ''packs'' (pacote em inglês, idioma dominante na área) em que o DVD já vem com o receiver e as cinco caixas de som. Hoje, diversas marcas vendem o produto.
Mas, independentemente dos aparelhos, o local deve contar com todo o conforto para o relax em frente à tela. A dica da arquiteta Susy Melo é apostar em sofás com 10 centímetros a mais de profundidade: ''Fica gostoso para sentar com almofadas atrás.'' Para os mais ''individualistas'', também vale colocar uma chaise-longue, que é confortável, mas restringe o número de convidados.
Metragens O ideal seria instalar o ''cinema'' numa sala com, no mínimo, 15 metros quadrados, de formato retangular e isolada acusticamente dos outros ambientes da casa. Como essas condições são raras, algumas adaptações podem ser feitas para incrementar salas de TV, ainda que pequenas. Mas deve-se tomar cuidado para não exagerar, tanto no tamanho da tela como na potência do sistema de som. ''Quanto menor a distância entre o espectador e a TV, menor deve ser a tela'', ensina Susy Melo.
A situação se complica ainda mais quando se trata de um telão com projetor, que cai bem apenas em locais grandes. ''A distância mínima entre o telão e o sofá deve ser de cinco metros'', orienta Roberto Molnar. Na opinião de Josias, uma sala de até 12 metros quadrados comporta uma TV de até 34 polegadas; e as de 24 metros quadrados a 36 metros quadrados, aparelhos de até 80 polegadas. São adequados para grandes dimensões os modelos de plasma, com tecnologia que permite máxima nitidez em telas grandes, mas com espessura finíssima.
Projetos bem bolados O telão com projetor é um dos maiores atrativos num home theater. Por outro lado, é o que pede maiores reformas e adaptações. O projetor costuma ficar no teto, assim como o telão quando não está sendo usado. Assim, é preciso rebaixar o teto em 15 ou 30 centímetros para embutir o projetor numa sanca de gesso.
As cinco caixinhas de som, hoje pequenas, também costumam ser embutidas na parede em sancas de gesso, ou ficam em suportes ou ainda em pedestais. Mas o segredo para a boa sonorização é o posicionamento delas: há uma caixa central (que reproduz o som dos diálogos), duas frontais e duas traseiras. Essa distribuição resulta numa sistema de áudio que envolve o espectador, o chamado efeito ''surround''.
O subwoofer deve ficar sempre na estante da TV, no canto esquerdo ou direito. ''Quando ele fica do lado esquerdo, todos os equipamentos de vídeo e DVD devem estar no canto oposto para não vibrarem'', indica Roberto Molnar. O indesejável efeito treme-treme também pode aparecer quando se tem vidro em janelas ou na estante da sala.
Outro item que deve ser bem pensado é a iluminação, tanto interna quanto externa. ''Nunca deve-se direcionar a luz para a tela da TV'', diz Roberto Molnar. Isso também vale para os raios solares que vêm das janelas: a pior situação é quando ela fica bem na frente da tela, refletindo e prejudicando a imagem. Tanto nessa posição como nas laterais, as janelas precisam ser cobertas com persianas ou com cortinas mais encorpadas, que proporcionem black-out.
Roberto não recomenda pintura branca nas paredes ou no piso, o que também pode influir na imagem. ''Opte por cores ou revestimentos de parede em tons um pouco mais escuros.'' Ainda costumam ser recomendados para o home theater arandelas e dimmers, que controlam a intensidade da luz.
Alguns tipos de piso podem prejudicar a boa acústica. ''Os cerâmicos e de madeira criam eco'', diz Paulo Helal, outro expert no assunto. ''O ideal é o carpete, ou então um tapete grande para colocar sobre o piso.'' Para aqueles que querem e podem investir num projeto de isolamento acústico, há a opção da colocação de placas de lã de vidro, forradas com tecido. Os abonados também podem investir em sistemas de automação, que permitem acionar e controlar os aparelhos de áudio e vídeo, persianas e iluminação por meio de um mesmo controle remoto. n

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