O comportamento dos cães é moldado durante toda a vida do animal, mas é nos primeiros seis meses que o filhote aprende a lidar com situações que podem causar medos e até traumas. Em muitos casos a agressividade dos cães se deve ao medo e à socialização feita de maneira inadequada. Por conta disso, muitos proprietários se desdobram para adequar os animais a ambientes ''pouco amistosos'' para eles.
Crianças, rojões, trovões, outros animais e até veículos podem ser motivo de trauma para os cães. De acordo com a professora de Clínica Médica do Departamento de Clínicas Veterinárias da Universidade Estadual de Londrina, Patrícia Mendes Pereira, é bastante comum encontrar animais traumatizados. ''Ainda temos muita coisa para descobrir sobre o comportamento canino. Hoje existem, inclusive, pessoas que trabalham com terapia para animais'' explica. Conforme a veterinária, o desenvolvimento e o amadurecimento emocional dos animais envolvem traumas e recordações. ''Eles têm memória'', garante.
Para Patrícia, a melhor fase para fazer a socialização dos animais é dos dois aos cinco meses de idade. ''É neste momento que se deve integrar o bicho à sociedade e apresentar para ele barulhos, pessoas e animais diferentes'', afirma. Quanto mais tranquila for esta apresentação ao animal, mais naturalmente ele agirá diante destas circunstâncias. No entanto, antes de sair com o filhote de casa é importante terminar o ciclo de vacinação.
''O grande problema hoje no Brasil são as doenças infecto-contagiosas. A nossa recomendação é que o animal fique dentro de casa enquanto não tiver tomado todas as vacinas'', afirma. Conforme ela, um filhote sem as vacinas só pode ser socializado com outros cachorros da família que sejam vacinados e que não tenham acesso à rua. ''Um cachorro que conhece outros animais desde filhote convive normalmente sem atacar nenhum deles. Isso acontece em um sítio, onde o animal cresce em meio a galinhas, gatos, coelhos e outros bichos sem nenhum problema de relacionamento'', ressalta.
A veterinária afirma que o dono tem grande interferência sobre as alterações comportamentais dos cachorros, por isso a apresentação do animal aos itens que podem causar traumas deve ser feita de maneira natural. ''Se a pessoa demonstra medo de fogos ou se procura proteger o animal nesta hora, ele vai se sentir inseguro e demonstrar medo também'', destaca. Patrícia explica que os cachorros veem os proprietários como líderes, ''eles entendem que se o líder quer escondê-lo dos fogos ele deve ter motivo para ter medo desta situação''.
Para ensinar o animal a não ter medo nestas ocasiões, a veterinária diz que é indicado que o proprietário busque fazer alguma coisa que o cachorro goste. ''Em vez de abraçar o cachorro e colocá-lo em sua casa num dia de fogos ou trovões, recomendo que o proprietário se comporte de maneira natural, pegue bolinha e estimule o cachorro a brincar. Um passeio ou um petisco também são interessantes, desta forma o animal não relaciona o trovão ou os fogos a uma situação de medo'', orienta.

Imagem ilustrativa da imagem Como lidar com traumas caninos
Segundo os especialistas, os cães têm memória; seu amadurecimento emocional envolve traumas e recordações