Como irmãs
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quinta-feira, 10 de maio de 2001
Rosângela Vale 
Elas dividem tudo: roupas, segredos, emoções, dia-a-dia. E a cumplicidade acaba reforçando as semelhanças que a natureza evidencia e a pouca diferença de idade só vem reforçar. Mães e filhas contam aqui um pouquinho da experiência de transformar laços familiares em relações de amizade incondicional.
Mário César
Fora de Londrina, a confusão é comum. Ninguém diz que se trata de mãe e filha. Mas as semelhanças entre a empresária Vera Giatti, 38 anos, e a estudante Nara, 19 anos, não se limitam ao aspecto físico. As afinidades e o companheirismo construídos ao longo do tempo estreitaram a relação. Como eu tive a Narinha muito cedo, é como se a gente tivesse crescido junto, conta Vera, viúva aos 28 anos, situação que acabou aproximando ainda mais as duas. Sempre compartilho tudo com minha mãe, idéias, sentimentos, diz Nara, que assume os negócios de Vera em Londrina durante as viagens da mãe, que têm se tornado cada vez mais frequentes por conta de uma empresa produtora de beleza, cuja sociedade ela divide com o badalado maquiador Duda Molinos. A consequência mais visível dessa cumplicidade está no guarda-roupa. Blusas decotadas, roupas coloridas, camisas, alguns jeans e ternos são de uso comum. Temos armários separados, mas na hora de guardar as peças a empregada nunca sabe de quem são, conta a empresária. Mesmo não usando o mesmo número de sapato, as duas acabam trazendo para casa modelos superparecidos. De salto alto, sempre. A influência da mãe no estilo da filha é notável. Para sair, a Narinha nunca fez a linha menininha, sempre está mais arrumada, observa Vera.
César Augusto
Os amigos admiram. E dizem que gostariam que a deles fosse tão descolada assim. Afinal de contas, não é nem um pouco comum ter a mãe de uma amiga entre a galera nos programas de fim de semana. Mas a dona de casa Ana Maria Puttinate Villas Boas, 43 anos, é mais do que bem-vinda na turma da filha, a estudante e operadora de telemarketing Carolina, 19 anos. Não tenho amigos da minha idade com quem eu possa sair, justifica Ana, que acompanha a filha nos barzinhos e boates até mesmo quando ela está namorando. Do antigo pretendente, ela acabou virando confidente. Quando os dois brigavam, ele ligava para conversar comigo, conta a mãe. Esse tipo de comportamento só reforça a impressão geral dos que vêem as duas se divertindo juntas. Todo mundo pensa que ela é minha irmã mais velha, diz Carolina. Ainda mais porque o estilo é o mesmo. À noite, elas sempre estão de roupa preta e salto alto. Blusas, acessórios e maquiagem são compartilhados. E ao contrário do que geralmente acontece entre irmãs que disputam a mesma peça, elas garantem que nunca brigam. A mãe cede sempre, sem pestanejar. A gente se dá superbem, ela se enturma e se entrosa facilmente, orgulha-se Carolina. Adoro estar com ela, derrete-se Ana, que acredita ter passado muitas responsabilidades para a filha por conta da viuvez. Ela amadureceu mais rápido e acabou virando uma ótima companhia para mim.
Josoé de Carvalho
Os guarda-roupas são separados, mas o trânsito entre eles é totalmente livre na casa de Denise Balarotti, 39 anos, e Manuela Balarotti Alho da Silva, 18 anos. Biquínis, sapatos, roupa de ginástica, acessórios e maquiagem são de uso comum. Sempre fazemos compras juntas, e mesmo quando viajo sozinha, ligo avisando o que comprei, conta a mãe. Morro de medo de comprar alguma coisa sozinha e ela achar horrível, revela a filha. Apesar de adotarem o estilo esportivo, elas têm as suas peculiaridades na hora de se vestir. A Manuela é um pouco conservadora. Eu sou mais arrojada. A gente acaba fazendo um balanço legal, se equilibrando com as críticas da outra, constata Denise. Para Manuela, a semelhança entre as duas é resultado da cumplicidade. Os pais são separados e a ligação com a mãe é bem forte. Como sou filha única, ela é a minha única referência, o que nos torna mais parecidas. Tanto que, certa vez, um garoto cantou Manuela com Denise do lado. Informado da gafe, pediu desculpas e tratou de sumir rapidinho. Segredos, elas garantem, não há. Se a gente não falar uma para a outra, vai falar para quem?, indaga Denise, que sempre dá opiniões sobre os paqueras da filha, acatadas imediatamente. O apego entre elas é tão grande que, quando uma delas viaja, acabam se falando todo dia por telefone. Costumo dizer que, quando eu me casar, de vez em quando vou deixar um bilhetinho para o meu marido avisando: Fui dormir na casa da minha mãe.


