Um apartamento clean, decorado com poucos e brancos móveis combina com que cheiro? Quem se arrisca a responder que é com uma fragrância discreta ou seca se engana redondamente. A simplicidade do ambiente, aliada à do perfume, vai criar uma atmosfera fria, sem qualquer vestígio de vida no ambiente. Para evitar que consumidores vacilem na escolha – e abandonem na primeira semana um cheirinho que apesar de gostoso torna-se cansativo – perfumistas brasileiros estão sendo mais enfáticos ao dedicar seus produtos para o corpo, para a casa e até para os carros.
  É isso que tem feito a carioca Cristina Raposo, da Olfateria. A programadora visual com dotes de alquimista que há quatro anos transformou sabonetes, óleos e outros que tais em presentes que exalam personalidade e bem-estar.
  ‘‘Uma casa com uma decoração mais rebuscada ou uma pessoa com um estilo mais sensual vão ficar muito carregadas se a escolha for uma fragrância complexa, com notas doces’’, diz ela, que na coleção 2005 (sim, a indústria da perfumaria também tem coleção!) deu indicações mais claras. ‘‘São cheiros de roupa lavada, borracha e até um que resume o sentimento que muita gente sente, o Yabasta!.
  Segundo Cristina, a prova de que os opostos se atraem também na perfumaria está na relação dos sexos com os cheiros. ‘‘É cada vez mais freqüente que mulheres optem por fragrâncias amadeiradas e homens, pelas mais florais.
  Fátima Chamma aprendeu com o pai, o perfumista acreano Oscar, as propriedades das essências das plantas da floresta tropical. A Chamma da Amazônia, empresa da família, acaba de inaugurar sua primeira loja em Portugal, onde fragrâncias como Cabocla, obtida da raiz da priprioca, e Água Forte, de flores e cedro, fazem sucesso.
  ‘‘A manjerona atua na musculatura cansada, a laranja incentiva a alegria, a rosa equilibra as emoções e o pinho purifica. A lavanda é o único que pode ser recomendado para qualquer pessoa sem erro. Funciona como um socorro’’, diz ela, que cultiva e desidrata as florezinhas roxas em sua fazenda na região do Matutu, no sul de Minas.
  Se ao receber um perfume, o presenteado não curtir a fragrância, a dica é esperar uns dias antes de voltar à loja para trocá-lo. Karina explica que a repulsa a um cheiro pode ser uma resposta momentânea do corpo: ‘‘Se a pessoa estiver passando por um momento diferente em sua vida, é normal que isso ocorra. Mas, equilibrado o organismo, a tendência é que as essências sejam recebidas da maneira adequada.’’
(Agência O Globo)

mockup