Como era diferente o meu Natal
Algumas personalidades do Paraná resgatam lembranças de antigos Natais e garantem que o Natal é a tradução de tudo o que possuímos de melhor
Francelino França
O espírito de solidariedade e fraternidade das famílias, há algumas décadas, dava ao Natal um significado todo especial. As famílias eram numerosas e os recursos minguados. Isso não impedia que o Natal fosse comemorado em clima de fantasia. Missa do Galo, orações, ceias acanhadas e almoços festivos completavam as comemorações natalinas. O clima consumista dessa data ainda não havia se solidificado e tudo era realmente compartilhado.
A Folha da Sexta conversou com algumas personalidades do Paraná para que elas resgatassem lembranças de antigos Natais. As principais lembranças de alguns incluem o calor humano e a expectativa de receber um pequeno presente. Para outros, os tempos eram difíceis e as lembranças não são nada inspiradoras.
Cada gesto e cada momento do Natal na infância, por mais insignificantes que pareçam, ficam guardados na memória como um momento inesquecível. Os tempos mudaram muito. Para essas pessoas, essa festa possui hoje um novo significado, e a alegria é o melhor ensinamento.
Arquivo FolhaAntônio Belinati, prefeito de Londrina
‘‘Meu pai era ferroviário e éramos 11 irmãos. No Natal, a gente recebia um brinquedo proporcional ao tamanho e às condições da família. O presente era pobrezinho no valor, mas tinha um significado inestimável. No dia 24 íamos à missa e voltávamos ansiosos para ganhar o presente de Natal. No dia 25 havia um almoço em casa. Lembro também que a garotada saía às ruas e ‘‘pedia’’ Feliz Natal. Eu acho que a gente deve valorizar quem pode fazer uma doação de um brinquedo para quem não pode, é um significado muito grande para quem recebe’’.
Arquivo FolhaCássio Taniguchi, prefeito de Curitiba
‘‘Na mainha infância, o Natal não era comemorado, por isso lembro vagamente dessa época. Os japoneses do interior de São Paulo comemoravam mais o Ano Novo, tinha um significado maior. Mesmo assim, as crianças ganhavam presentes. Eu me recordo de um joguinho de química que eu ganhei. A gente ficava curioso com as festas na casa dos vizinhos. A comemoração como festa religiosa foi acontecer depois, quando vim para o Paraná em 1965. No ano seguinte, eu casei com Marina. Na família dela havia grandes celebrações todo ano e hoje o Natal ainda é bastante comemorado. A cada ano, um membro da família se veste de Papai Noel, inclusive eu já me vesti assim’’.
Arquivo FolhaHarry Daijó, prefeito de Foz do Iguaçu
‘‘Eu morava em São Paulo. Saí de casa aos 8 anos, para estudar, e comemorava o Natal com os amigos. Era um data sem presentes. O carinho e a atenção não podem ser substituídos por presentes. O Natal é uma data muito triste porque acentua a desigualdade, muita gente se esquece do sentido coletivo que essa data propicia. Hoje eu passo as festas com a família, meus 8 filhos e meu neto’’.
Arquivo FolhaHelena Kolody, escritora
‘‘Sou de uma cidadezinha chamada Três Barras, em Santa Catarina. O Natal era comemorado simplesmente como reunião de família, e me recordo que minha mãe fazia uma bonita oração. Mas a gente ganhava presentes também. Naquela época não havia Papai Noel como existe hoje. Para mim, o Natal continua sendo importante porque sou muito religiosa. Tenho até um poema dedicado ao Natal’’.

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