foto: Dorico da SilvaJuliana estuda francês e italiano e não fala inglês: ‘‘É uma visão contrária à dessa vida pós-moderna que tira a poesia da gente’’Em nenhuma outra época a comunicação teve um papel tão importante como nos dias atuais. A previsão de que o mundo viraria uma aldeia global, hoje é um fato, e quem domina a economia tem o poder de exigir que as negociações sejam feitas em seus próprios termos, ou seja, na sua própria língua. Foi dessa forma que os americanos universalizaram o inglês, tornando-o obrigatório no currículo profissional e, consequentemente, nas relações interpessoais. E é também por uma questão mercadológica - leia-se Mercosul -, que os cursos de espanhol estão cada vez mais cheios de alunos.
Nem todas as pessoas, entretanto, se submentem a essa unanimidade. Simplesmente porque acreditam que o prazer de aprender uma nova língua não pode ser reduzido a uma simples necessidade de mercado. Preferem, portanto, destinar as poucas horas disponíveis na correria do dia-a-dia para desvendar outras sonoridades. ‘‘É uma visão contrária à dessa vida pós-moderna que tira a poesia da gente’’, define a estudante de Direito Juliana Torres Milani, 22 anos, que há seis se dedica ao aprendizado de francês. ‘‘Acho que é a língua mais bonita do mundo, a mais melodiosa’’, descreve.
Para ela, estudar outros idiomas é uma das mais poderosas formas de conhecimento. ‘‘Descobrimos a riqueza cultural do país e toda a sua simbologia, e isso abre uma série de novos horizontes’’, observa Juliana, que tem uma meta bem definida: quando completar 30 anos, quer estar falando quatro ou cinco línguas. A segunda dessa lista ela já definiu - há oito meses começou o curso de italiano.
foto: César AugustoPara o advogado Roberto, o inglês não é absolutamente fundamental nas viagens pelo mundo: ‘‘Muitas vezes, a presença de espírito e o jogo de cintura resolvem mais’’
Apesar de reconhecer que o inglês é imprescindível para entrar no mercado de trabalho, Juliana nunca se motivou a aprender essa língua por considerá-la extremamente fácil. ‘‘Por que fazer um curso durante anos se posso aprender em apenas seis meses viajando?’’, questiona.

mockup