Como dizer à criança que o dinheiro está curto?
As cidades e vitrines já estão enfeitadas e os comerciais, principalmente na TV, lembram que o Natal está chegando. É o momento em que todos se sentem ''obrigados'' a comprar. Ofertas e prazos para pagamentos não faltam. A leve queda nos juros é usada como isca para estimular o consumo. Mas o desemprego se mantém elevado (na casa dos 13% da população economicamente ativa) e bateu na porta de muitas famílias. A crise preocupa. Como explicar ao filho que, neste Natal, os presentes serão modestos ou que simplesmente serão abolidos?
''Se o pai ou mãe estão desempregados, independentemente da idade do filho, devem conversar sobre a falta de recursos, explicando as consequências do problema'', afirma Graziela Zlotnik Chehaibar, psicóloga e mediadora familiar, de São Paulo. ''Se a criança não estiver em idade de compreender a situação, com certeza ela também irá se satisfazer com um simples brinquedinho, que até pode ser feito em casa'', acrescenta Graziela.
Segundo a psicóloga, a criança entenderá a situação dos pais, desde que seja explicada no início e sem rodeios. ''Não adianta querer manter um padrão de vida após a perda do emprego e, meses depois, tentar consertar o impossível''. Graziela comenta que, se a criança sentir que faz parte da família e suas opiniões são ouvidas, compreenderá que presentes de Natal são de pequena importância. ''Se o diálogo é constante, o filho tentará encontrar formas de ajudar os pais'', ressalta a psicóloga.
''Nesta época, a vontade em comprar aumenta e muitas pessoas esquecem que, mesmo comprando a prazo, um dia terão que pagar. Diálogo e autocontrole financeiro são essenciais para enfrentar a má fase. É no diálogo que as questões podem ser socializadas em busca da união familiar, que amenizará os vários problemas que a crise econômica desencadeia'', finaliza Graziela. n





