Que mulher nunca fechou um acordo desfavorável por ter sido boazinha em excesso? Ou já passou por maus momentos por não saber dizer ''não''? Ou acumulou tarefas demais por não saber dividir com o marido? Ensinar as mulheres a negociar é a proposta das jornalistas americanas Leslie Whitaker e Elizabeth Austin. Juntas elas escreveram o ''Guia de Negociação para Mulheres Como conseguir o que se quer com inteligência e sem perder o charme'', que chega ao Brasil após sucesso de vendas nos Estados Unidos.
O livro é uma análise franca do que talvez seja o principal dilema contemporâneo feminino: como ser sedutora, compreensiva e sábia num mundo de negociações cada vez mais selvagens. Ou, em bom português: como deixar de ser a boazinha sem perder a ternura.
Baseado fundamentalmente em estudos científicos e depoimentos, o ''Guia de Negociação'' usa como ponto de partida uma caracterização do estilo Ofélia de negociação, ou seja, a negociadora boazinha. Trata-se, a grosso modo, daquela que não acredita no próprio valor, tem medo de marcar suas posições e não compreende que, em qualquer negociação, as partes são interdependentes. Essa mulher à moda antiga, impelida cultural e historicamente à aquiescência e ao sim, precisa perder o medo da mesa de negociações, sem que isto signifique uma masculinização da sua personalidade.
Como defendem textualmente as autoras, não se trata de um 'conserto, com meia dúzia de injeções de atitudes machistas', mas sim da compreensão de que a sinceridade e a capacidade de gerenciar crises e necessidades (qualidades generosamente presentes nas mulheres em geral) são armas decisivas em uma boa negociação aquela, enfim, em que duas partes trabalham para um resultado satisfatório para ambos os interessados.
O livro não se restringe a uma área de atuação. Com dicas práticas como, por exemplo, as seções ''Dicas para negociar ao telefone'' ou ''Histórias de cama: negociações no quarto'' o trabalho cobre praticamente todas as situações em que é necessária a conciliação de interesses ou o estabelecimento de acordos. Da compra de um carro (situação na qual as mulheres americanas chegam a pagar 40% de ágio pelo mau posicionamento nas vendas) às fantasias sexuais não realizadas, tudo depende de saber com clareza o que se quer e ter autoconfiança, serenidade e ferramentas adequadas para consegui-lo.
a obra se revela um profundo trabalho jornalístico e de pesquisa. Aproximando o estudo americano do Brasil, o Guia de Negociação traz ainda o depoimento de mulheres brasileiras, como os da jornalista Danuza Leão (como exemplo de compradora obstinada e, portanto, má negociadora) e da cineasta Carla Camurati (símbolo da paixão por um projeto), entre outras.
As autoras Leslie Whitaker começou sua carreira no jornalismo como repórter da revista Time. É co-autora de outros três livros, entre os quais Wake Up and Smell the Money, com Ginger Applegarth, e The Beardstown Ladies Common-Sense Investment Guide, que entrou para a lista dos mais vendidos do New York Times. Elizabeth Austin também é jornalista e já ganhou diversos prêmios por artigos e ensaios publicados nas revistas Time, People, Washington Monthly, Ladies' Home Journal, Good Housekeeping, Self, Shape, nos jornais Washington Post e Chicago Tribune. (Da Redação)

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