A criança fica nervosa ao receber um não dos pais, começa a chorar e faz escândalo. Os adultos, envergonhados, perdem a paciência e tiram a criança a força do lugar. O adolescente, ao ser contrariado, ''fecha a cara'' ou dirige-se aos pais com grosseria e cinismo. Quem nunca presenciou - ou vivenciou - uma situação parecida em um local público? E a dúvida que surge é sobre como agir nesses momentos. O dilema, no entanto, pode ser amenizado se os pais aprenderem a driblar a raiva dos filhos, buscando entender os reais motivos desta manifestação e as formas de minimizá-la.
''Os pais têm dificuldade extrema para lidar com birras e frustrações'', afirma o psicólogo e psicoterapeuta Ivan Capelatto, que entre outros títulos, é autor do livro ''A Equação da Afetividade - Como Lidar Com a Raiva de Crianças e Adolescentes''. A obra, que também é assinada pelo psicólogo Iuri Capelatto, busca - acima de tudo - orientar os pais e contribuir para a formação de adultos emocionalmente saudáveis.
Ivan Capelatto destaca que, primeiramente, as pessoas devem compreender que a raiva é uma manifestação natural do ser humano. ''Trata-se de uma emoção com base em uma reação neurológica. A amígdala cerebral rege a presença da ansiedade, do medo e da raiva nos seres'', explica.
Sendo assim, a fase em que a criança fica mais suscetível à raiva é entre os 18 meses e quatro anos e meio, período em que a amígdala está em funcionamento mais intenso, segundo o psicólogo. Ele acrescenta que a adolescência também é um período crítico, pois os hormônios exigem mais dos jovens, e, naturalmente, há muito mais frustrações e mais medos.
Mas alguns fatores, independentemente da faixa etária, interferem diretamente no comportamento. ''O meio, a criação, o tipo de cuidados dispensados pela família, os limites e palavras usadas são determinantes'', diz Capelatto, acrescentando que ''famílias que gritam e punem terão filhos mais agressivos ou mais reprimidos, o que não é saudável''.
Na opinião dele, quando a criança expõe a raiva em locais públicos, os pais devem se conter e tentar não se incomodar com os outros. ''É importante lembrar que ela está manifestando uma reação natural por estar com medo ou frustrada'', salienta.
Diante da raiva, a postura mais indicada, segundo ele, é identificar a causa da manifestação raivosa e não criticar ou punir. E o melhor caminho é sempre o diálogo. ''Claro que na hora da raiva é difícil conversar'', aponta o psicoterapeuta. Por isso, ele defende que ''os pais devem suportar e esperar a raiva passar para depois tentar estabelecer um diálogo aberto''.
Algumas atitudes, porém, jamais devem ser admitidas. ''Os pais não podem permitir agressão física de forma alguma. Se a criança tentar bater no adulto, deve ser contida. Devem aprender a suportar a raiva por meio da fala, choro, grito'', pontua.
De acordo com Capelatto, em algumas situações é necessário recorrer à ajuda de um profissional. Isso deve acontecer, principalmente, diante de duas situações: quando os pais não conseguem suportar a raiva dos filhos porque a sua própria raiva é muito grande e quando a criança ou adolescente não manifesta nenhuma raiva, sendo muito cordatos. ''O silêncio não é normal'', alerta.
Serviço
A Equação da Afetividade - Como Lidar Com a Raiva de Crianças e Adolescentes
Autor: Capelatto, Ivan; Capelatto, Iuri
Editora: Papirus 7 Mares
Mais informações: www.capelattopsicologia.com.br

Imagem ilustrativa da imagem Como conter a raiva de crianças e adolescentes?
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Os pais, na opinião do psicólogo, devem compreender a raiva como uma manifestação natural da criança e escolher a forma e o momento certo de agir