Comidinhas: do bebê à vovó
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quinta-feira, 28 de abril de 2011
Vivian Fukushima<br>Reportagem Local 
Qual será o cardápio hoje? Lanches, fast food ou congelados? Essa é a rotina de muitas pessoas que por preguiça, falta de tempo ou de afinidade com o fogão, acabam optando por pratos prontos e práticos, que ajudam a economizar tempo, mas podem detonar a dieta saudável.
Era esse o caso de dona Rose Mercer, de 72 anos, que mora sozinha e por esse motivo não via razão em ir para a cozinha. "Era terrível cozinhar só para mim, por isso, sempre ia a restaurantes ou pedia para entregar em casa. Mas já tive problemas por causa do excesso de sal na comida", diz. A solução foi quando a nora lhe apresentou o cardápio do Restaurante Papinha da Vovó, que oferece refeições preparadas com ingredientes 100% naturais, isentos de conservantes. "No meu caso, o problema foi resolvido de duas maneiras: não preciso mais me preocupar em cozinhar e hoje minha alimentação é muito mais saudável".
A avó de 15 netos afirma também que nunca é tarde para mudar os hábitos alimentares. "Acredita que eu aprendi a comer cabotiá? Nunca gostei, mas como ela vem misturada a outros alimentos, eu como e nem percebo. E isso acontece com outras verduras também", confessa.
E não são as vovós as únicas beneficiadas com a variedade do cardápio. Pedro Henrique, de 1 ano e 2 meses, se delicia com as papinhas desde os 4 meses de vida. "A praticidade e principalmente a variedade de alimentos me chamaram a atenção. Pedro começou com esse tipo de alimentação na fase 1, que inclui as papinhas, e experimentava todos os sabores. Hoje meu filho come de tudo. É bom de boca", afirma a advogada Lívia Bolognese, mãe do pequeno. Ela conta que, com o friozinho chegando, já pensa em estender as refeições para toda a família. "Atualmente peço só para ele, mas nessa época do ano, uma sopa saborosa e saudável no jantar vai bem para qualquer um".

Os pratos da Papinha da Vovó são separados por fases, de 1 a 4, e mudam a cada estação. Isso porque, segundo a proprietária Karen Suenson, todos os ingredientes são frescos, e a intenção é aproveitar os produtos oferecidos em cada época do ano. "A falta de tempo é a principal responsável pela má alimentação da maioria das pessoas, e as consequências não demoram a aparecer. Já tive vários casos de mães que querem mudar a alimentação dos filhos obesos", afirma.
Karen explica que a fase 1 é destinada a crianças a partir dos seis meses de vida, quando começam a ingerir os primeiros alimentos. "É a única fase em que cardápio não muda. São as papinhas de legumes, hortaliças e grãos, no período em que a criança começa a conhecer o gosto dos alimentos e apurar o paladar", diz.
Na fase 2 estão as sopas cremosas, para crianças ou até enfermos que não podem mastigar. No cardápio é possível encontrar o Vó Elza, um creme de batata, espinafre e ervilha. "Nessa etapa atendemos também pacientes pós-operados, principalmente de cirurgia bariátrica". Já na fase 3 os ingredientes são introduzidos em pedaços, como no prato Vó Lia, uma polentinha com feijão carne e alface. Karen conta que esse atende toda a família, não só a criança.
Já na última fase, os pratos inclu em arroz, saladas e carnes. "Todos os pratos são balanceados e sempre com ingredientes alternados". Nesse cardápio é possível encontrar desde pratos do dia a dia como o Vó Júpiter, com arroz, feijão, carne moída, brócolis e cabotiá, aos mais sofisticados como o Vó Zelina, um gratinado de bacalhau com mandioca e castanha de caju.
E se engana quem pensa que para se alimentar de uma maneira saudável é preciso deixar de lado o prazer de comer bem. Segundo Karen, um dos pratos mais procurados nesta época do ano é o Vó Darlene, um Baiãozinho de arroz, feijão, carne e queijo. Já para a próxima estação, uma boa pedida é a Vó Nívea, uma lasanha de legumes e queijo. "É tudo muito gostoso e o melhor, saudável".

Catarina, avó de Karen, foi responsável por preparar, durante quase 30 anos, comidinhas nutritivas e saborosas para as crianças da escola que a família possui.
Ela acordava cedinho e já se ocupava da missão do dia: incentivar o consumo de alimentos naturais. Várias crianças chegavam à escola com uma lista de "não gosto", e as mães ainda relatavam o que os pequenos não comiam. No entanto, Karen conta que graças ao carinho de Catarina, as crianças experimentavam novos alimentos e adquiriam um paladar mais saudável. "A vovó tinha o dom de transformar qualquer comidinha simples em um prato delicioso. Quem provou sabe que os grandes diferenciais eram mesmo as pitadas de amor, dedicação e carinho que ela acrescentava nas receitas", diz.
A Papinha da Vovó surgiu após a partida da vovó Catarina, uma perda muito significativa para todos que conviviam com ela. Karen afirma que o grande legado que sua avó deixou foi acreditar que é possível ensinar às crianças a se alimentarem de forma saudável. E é esse hoje, o seu principal objetivo. (www.papinhadavovo.com.br)



