Um jantar, seja com amigos ou para negócios, em casa ou em restaurantes, é sempre um acontecimento de contrastes. Boa comida. boa bebida, boa conversa e... o medo de fazer algo errado e tropeçar na etiqueta. Do convite à arrumação da mesa, passando pela refeição, tanto anfitriões como convidados podem cometer gafes e pequenos deslizes capazes de constranger os demais e comprometer o brilho da festa. O ideal seria que esses problemas não acontecessem, mas saber lidar com eles é fundamental.
Segundo a anfitriã e consultora de etiqueta Elizabete Côrtes, essa formalidade nada mais é do que uma porção de códigos de conduta. ''Por isso, a etiqueta muda de situação para situação. Um jantar formal de negócios é diferente de uma reunião de amigos, mas nos dois momentos alguns cuidados são necessários'', diz. E ela garante que as regras continuam as mesmas de tempos atrás, o que mudou foram as situações. ''Antes eram comum o jantar à francesa, em que a pessoa é servida pelo garçom e o ambiente é sempre formal. Hoje, no entanto, são mais comuns o jantar à inglesa, em que o prato já vem pronto, e o americano, com bufê'', explica.
Troca de talheres Para saber como lidar com os talheres é preciso definir qual a ''nacionalidade'' do jantar. Isso porque no estilo europeu o garfo é manuseado sempre com a mão esquerda, já no estilo americano ele vai para a mão direita para levar a comida à boca, depois de a faca ter sido usada e colocada sobre o prato. ''A troca de talheres nas mãos não existe em nenhum deles'', alerta Elizabete.
Outro erro bastante comum acontece com os guardanapos. A consultora explica que, se for de pano, ele deve permanecer no colo durante a refeição e ser colocado sobre a cadeira caso a pessoa precise sair da mesa. Se ele for colocado ao lado do prato, dará a idéia de que a pessoa parou de comer. Já os de papel podem ficar na frente do prato durante a refeição. ''O ideal para jantares formais é que os guardanapos sejam de pano. Só para ocasiões muito informais os de papel são aceitos'', ensina.
A organização da mesa também exige alguns cuidados. De acordo com Elizabete, o número de taças e talheres não deve passar de três. ''Geralmente esse número é suficiente para os pratos e as bebidas que serão servidos. Se for necessário o uso de um número maior, o garçom deverá substituir o que já foi usado pelo jogo novo, para a mesa não ficar cheia e feia'', diz. O exagero também precisa ser evitado quando o assunto é decoração. ''Enfeitar a mesa é muito importante, mas é preciso saber escolher o que usar. Candelabros e arranjos de flores são boas opções, mas devem ser baixos, para não atrapalhar a visão entre os dois lados da mesa, e sem cheiro para não interferir no aroma da comida'', completa.
Cardápio Saber o que servir é garantia para evitar problemas. A consultora diz que ao optar por um prato deve-se prestar atenção aos convidados. ''Se as pessoas que irão comer são de uma classe social simples, é um erro servir um prato difícil, que exija prática para comer, como escargot, por exemplo. Com certeza irá se criar um constrangimento'', garante. Os convidados, por sua vez, podem fugir das gafes com uma dica simples. ''Se você não sabe o que fazer com determinado prato, não o peça. Muita gente diz que nunca sabe onde colocar o caroço da azeitona. É simples: não coma a azeitona'', ensina.
Outro detalhe importante é sempre comunicar o cardápio para os convidados. Isso possibilita que alguém avise caso não coma determinado prato. ''E nesses casos o dono da festa deve insistir para que a pessoa compareça, preparando para ela um prato separado'', esclarece. Caso você não seja avisado do menu antecipadamente, e se depare com um prato desconhecido ou pouco apreciado, o recomendado é experimentar, pelo menos. ''Se a pessoa não gostar mesmo da comida, pode dizer que é alérgico, mas aí tem que ficar explicando. O melhor é experimentar um pouco'', aconselha. n

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