Comendo bem, que mal tem?
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quinta-feira, 04 de agosto de 2011
Vivian Fukushima<BR>Reportagem Local 
Quando se trata de alimentação, morar só tem suas vantagens e desvantagens. A primeira é, sem dúvida, a liberdade para comer o que quiser, a hora que der vontade. Já o lado ruim disso é que sem o comprometimento de ter que cozinhar e alimentar outras pessoas, produtos congelados e industrializados, de fácil preparo, são os mais encontrados na cozinha de quem vive essa rotina.
Porém, segundo especialistas da área da alimentação, Londrina dispõe de muitas opções para quem não abre mão de alimentos saudáveis, com a vantagem de escolher um cardápio adequado às necessidades e ao tempo disponível para as refeições.
É o caso da analista de educação corporativa Caroline Zucco, de 25 anos. Ela mora com mais duas amigas, mas cada uma cuida da sua própria refeição. Caroline conta que seu almoço é balanceado, já que é oferecido pela empresa onde trabalha. Nos finais de semana, quando teria de cozinhar, o lado prático fala mais alto. "Quase 90% das vezes saio para comer em algum restaurante. Quando faço comida em casa é macarrão, omelete, sempre coisas rápidas", conta.
Caroline afirma que o principal problema de quem vive só é saber se alimentar. "Eu realmente me preocupo com minha alimentação e faço questão de comer muita fruta, salada e evito levar para casa produtos congelados e industrializados, pois sinto a diferença no sabor. E a maioria das pessoas que conheço e está na mesma situação, come muito bobagem, afinal, é muito mais fácil comprar pronto no mercado".
Questionada sobre por que não cozinha em casa, já que é tão ligada à saúde, Caroline explica que "além de ter de cozinhar em pequenas quantidades, o que é muito chato, não compensa financeiramente. Sempre sobra comida e não tenho a variedade que encontro nos restaurantes. Eu sei que é difícil, mas escolhendo os alimentos certos, é possível comer de uma maneira saudável fora de casa".
Já o administrador de empresas Cassiano Andrade Silva, de 30 anos, trocaria facilmente qualquer refeição por pães ou salgados. "Não faço questão de comer arroz e feijão no almoço. E também não como nada verde. Só frutas porque gosto muito.", afirma. Ele conta também que o fato de morar sozinho torna suas refeições irregulares. "Não tenho hora certa para me alimentar. Se alguém me liga no meio da tarde ou à noite e chama para algum evento, topo na hora. Não me alimento pensando na saúde, prezo a boa comida, novos sabores. Mas sei que um dia vou precisar levar esse lado saudável mais a sério", comenta.
Cassiano conta que a cidade oferece boas opções de bares e restaurantes, a preços acessíveis. Por isso, preparar sua própria refeição, está fora de cogitação. "É financeiramente inviável fazer compras para uma pessoa só. Sem contar que nunca vou ter em casa o que realmente quero comer. Além disso, a comida é uma ótima forma de socialização. E para quem mora sozinho, isso é muito importante".
Segundo a nutricionista Isabela Salomão Guimarães, o grande problema de quem mora sozinho é que a maioria opta por produtos mais práticos na hora de cozinhar em casa. "Com certeza é mais fácil comprar uma sopa pronta, por exemplo, do que sair para comprar todos os ingredientes e ainda chegar em casa e preparar. No entanto, esses produtos industrializados possuem alta concentração de sódio e gordura, além de não preservar os nutrientes que nosso corpo necessita", explica.
E para quem precisa ou prefere comer fora todos os dias? Como não cair nas tentações? A nutricionista afirma que a grande vilã é a variedade de opções. "Em um mesmo local podemos encontrar, arroz, lasanha, macarrão, mais de dois tipos de carnes, além de outros pratos. Mas é só pensar: Quem, em casa, come isso todo dia? Geralmente temos pratos mais elaborados nos finais de semana. É comum isso na maioria dos lares. E não é porque comemos fora que vamos ingerir todos esses alimentos diariamente".
Uma boa dica de Isabela para quem mora só e não faz refeições em casa, é criar uma rotina de horários. "Assim, evita-se aqueles beliscos no meio da tarde ou da noite". E para quem gosta de preparar a comida em casa, mas não suporta o desperdício, a opção é congelar porções, como por exemplo, potinhos individuais com feijão, sopa e até carnes.
Imagine receber os amigos em casa com esse cardápio: Fagotini de Queijo Brie e Damasco Caramelizado ou até um Tortelloni de Mozzarella de Búfala e Manjericão fresco. Sucesso na certa. Mas preparar pratos individuais como estes, seria necessário perder, pelo menos, uma tarde inteira. Outra opção seria comprar em supermercados, na seção de congelados. Porém, encontrar recheios e molhos diferenciados é algo quase que impossível. Além disso, se um dos amigos for como Caroline Zucco, que consegue distinguir os sabores de alimentos frescos e industrializados, é grande a chance de o jantar ir por água abaixo.
Mas tanto o Fagotini quanto o Tortelloni não foram preparados em casa e muito menos comprados em supermercados. Essas e muitas outras massas e molhos artesanais foram preparadas na Massaria Artigianale, uma boa opção para quem não deixa de lado o sabor e a saúde na hora de escolher o que comer. "Nossas porções normalmente servem duas pessoas, mesmo assim temos muitos clientes que moram sozinhos e não cozinham em casa. Por isso, escolhem a massa de sua preferência e levam para comer no final de semana, por exemplo. No freezer, elas duram até três meses", afirma o chef Alexandre Gimenez, proprietário da empresa, cujos produtos são totalmente naturais, livre de corantes artificiais e conservantes.
Ele afirma que essa procura por alimentos saudáveis está cada vez maior, inclusive por pessoas que moram sós. "A principal vantagem de comer fora ou comprar alimentos prontos é a praticidade. Só é preciso saber escolher os produtos certos. Boas opções que priorizam a saúde estão cada vez mais acessíveis", afirma.
Segundo o economista Flávio Oliveira Santos, tudo vai depender da qualidade e do preço disponível nos restaurantes onde a pessoa irá fazer suas refeições.
Ele afirma que se o restaurante escolhido for por quilo, e o local oferecer variedade de verduras, legumes e frutas, é sim, uma boa solução para quem não tem paciência para fazer a alimentação em casa."Como os hábitos alimentares tem se modificado com novas atitudes saudáveis, o que inclui comer menos e melhor, fazer as refeições pagando por quilo é muito mais econômico do que comprar as frutas, legumes e verduras para fazer em casa", diz.
O economista explica que o desperdício é inevitável quando a família é composta por apenas uma ou duas pessoas. No entanto, se a pessoa já faz as refeições todos os dias em sua casa, certamente ficará mais barato continuar com o hábito, já que ela saberá a quantidade certa do que comprar. Assim, não terá sobra de verduras e/ou carnes, lembrando que as carnes representam em torno de 30% a 40% do valor das refeições. Porém, se a pessoa consome grande quantidade de alimentos diariamente, ou seja, acima de 500 gramas, comer fora não é viável financeiramente.
É o que indica o Índice Visa Vale de Preço Médio de Refeição 2011, divulgado no mês passado. Enquanto uma refeição completa custa em média R$ 26,78 em todo o Brasil, na região Sul esse valor cai para R$ 24,33. O estado do Paraná se destaca pelos preços mais baixos; em Curitiba a refeição completa custa R$ 23,80 e em Londrina, R$ 22,16. O preço médio da refeição completa é calculado levando-se em conta o valor do prato principal, bebida, sobremesa e café. De acordo com a pesquisa, as cidades mais caras do Brasil para se comer fora de casa estão no estado do Rio de Janeiro, onde uma refeição custa em média R$ 31,02.






