Combinação perfeita
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de novembro de 1997
Celso Mattos 
Projetar um jardim é como compor uma música. É preciso que haja sintonia entre as plantas, combinando cores, volume e textura, compara o engenheiro agrônomo e paisagista Ricardo Armando de Oliveira. Responsável pelo jardim do gazebo da 3ª Mostra de Decoração & Interiores de Londrina, Ricardo mostrou uma nova concepção de paisagismo ao misturar diferentes elementos da natureza de forma geométrica. Ao substituir a grama pelas pedras, minha intenção foi incluir o mineral no jardim, um material rico, abundante, multifacetado e que facilita a manutenção do ambiente, justifica.
Milton DóriaA tendência é resgatar as plantas comuns,
afirma o paisagista Ricardo de Oliveira
A escolha também teve um lado subjetivo ao permitir que o verde se destaque como um indivíduo vegetal. Além disso, a pedra pode ser pisada, pode-se andar descalço sobre ela, permitindo uma troca de energia. E para contrapor ao visual árido, eu usei um tapete de bromélias que é uma das plantas mais úmidas da natureza. Em termos de jardinagem é fundamental pensar no conjunto e na composição de vários elementos. Como dizia o paisagista Burle Marx, não existe planta feia ou comum, o que existe são plantas bem ou mal utilizadas, lembra Ricardo de Oliveira.
Tapetes Outro recurso usado pelo paisagista foi revestir os troncos das árvores com cordas de sisal. Foi um efeito estético que destaca a existência do tronco, estreitando a relação do homem com a planta.
Outra recomendação de Ricardo é a de usar tronco de xaxim apenas na forma viva, contribuindo assim para a preservação da espécie. Para trepadeiras e pérgolas deve-se usar madeira ou outros materiais como uma estrutura de concreto, observa ele.
Para formar tapetes naturais no jardim, o paisagista diz que o mais indicado é optar por plantas perenes, podendo também misturar duas ou mais espécies desde que elas se combinem entre si e também com as demais plantas do jardim. De preferência, elas devem ser plantadas no chão. Além das bromélias, pode-se usar grama preta, lírio amarelo ou cineraria.
Ricardo de Oliveira explica também que existem diferenças na concepção do jardim dos fundos com o que fica na frente da casa. Podem ser usados os mesmos elementos, mas de outra forma. Nos fundos, o jardim deve ser mais familiar. As paredes de vegetais, por exemplo, que dão intimidade ao ambiente, não devem ser usadas no jardim da frente, que precisa ser mais visível. O paisagista ressalta que o elemento indispensável num jardim é o ser humano. O jardim existe para o homem. Portanto, é preciso levar em consideração a personalidade do proprietário. Se ele é extrovertido, gosta de receber amigos, ou se é mais recluso. Tudo isso deve ser avaliado no início do projeto, afirma.
Releitura A água é outro elemento que o paisagista recomenda usar num jardim. Em forma de tanque ou em pequenos lagos revestidos de pedras, a água produz um efeito sutil e terno ao local. Dependendo do tamanho, pode-se optar também por árvores frutíferas e viveiro de aves. E para dar um clima bucólico, uma colméia de abelhas jataí. Além de inofensivas, elas produzem um mel medicinal. O jardim deve fazer uma releitura da natureza, criando um ecossistema distinto., defende Ricardo de Oliveira.
Segundo o paisagista, neste final de século a tendência é resgatar as plantas quase esquecidas, como samambaia, beijinho arbustivo, sálvia azul (que atrai beija-flor), capim-limão, dracenas e crótons. Sem esquecer das orquídeas, helicônias e bromélias, acrescenta. Ricardo de Oliveira ressalta também que ao projetar um jardim, é fundamental que o paisagista trabalhe em conjunto com o arquiteto. Um tem a visão de espaço e disposição dos elementos e o outro tem conhecimento sobre botânica e composição das plantas. Essa união permite um resultado final mais elaborado e harmonioso, afirma Ricardo de Oliveira.


