Numa época de relações tipo fast-food, descartáveis e sem compromisso, o namoro se tornou uma espécie de incógnita. O que faz duas pessoas livres abdicarem da diversidade de ''opções'' no mercado? Que gosto tem um beijo para ser desejado todos os dias? E, o maior dos mistérios: como administrar esse relacionamento tão especial para que ele seja, de fato, eterno enquanto dure? Três casais com fama de perfeitos contam aqui suas histórias e tentam elucidar tais questões.


Renata e Renan
  Renata Sahão, 17 anos, e Renan Maluf Martins, 16 anos, estão juntos há 1 ano e dois meses, desde que ele trocou de colégio e os dois passaram a dividir a mesma sala de aula. O fato de se conhecerem antes disso ajudou a aproximação. ‘‘Éramos da mesma turma, íamos a festas na casa de amigos em comum’’, lembra ela. Desde que o cupido acertou os dois, eles não se desgrudam. Tanto que muita gente já vê semelhanças físicas no casal. A convivência também moldou o lado comportamental de ambos. Ela, que era mais agitada, ganhou serenidade. Ele acha que ficou mais maduro. ‘‘A gente tem que se adequar ao outro’’, observa Renan.
  Passar a maior parte do tempo grudados, entretanto, tem lá as suas desvantagens. Que eles, de comum acordo, já trataram de contornar. ‘‘Ano passado sentávamos perto um do outro na sala de aula. Mas brigávamos por bobeira. O lado ruim de estar sempre junto é esse: gera mais atrito. Este ano, optamos por sentar em lugares separados’’, conta Renan, apontando, em seguida, o lado bom da história. ‘‘Como temos que estudar muito, a gente não teria muito tempo para se encontrar se não fosse no colégio’’.
  Durante todo o tempo de namoro, Renan e Renata só ficaram separados uma semana. ‘‘Antes a gente brigava mais. Agora amadurecemos a relação’’, garante ela, que já se prepara para administrar a saudade. Em agosto, Renan embarca para os Estados Unidos, onde ficará durante um ano. ‘‘É bastante tempo, vai ser difícil, mas, a princípio, queremos tentar ficar juntos’’, adianta ele.


Rafael e Ana
  Rafael dos Santos Ferreira, 22 anos, e Ana Paula Gardeman da Costa, 21 anos, desafiam quem não acredita em amor à primeira vista. Logo no início do namoro, já trocaram alianças de compromisso, tamanha foi a paixão. O encontro, obra do ‘‘acaso total’’ como ele define, aconteceu numa noite fria e chuvosa, no bar Valentino, há dois anos.
  Rafael estava indo ao encontro do irmão em outro ponto da cidade. O amigo que o acompanhava resolveu passar antes no Valentino, e, sem querer, acabou dando uma de cupido ao apresentar o (futuro) casal. Ali mesmo trocaram telefones e os primeiros beijos apaixonados. Desde então, não ficam um só dia sem conversar – e raramente sem se ver.
  Estudantes universitários – ele, de História; ela, de Letras – Rafael e Ana se encontram, todos os finais de tarde, no ponto de ônibus para ir e voltar da UEL. Se um deles sai mais cedo, a regra é esperar pelo outro, muitas vezes, assistindo aula junto. Nos finais de semana, ele se ‘‘muda’’ para a casa dela. Para Ana, companheirismo e sinceridade são os segredos da relação.
  Desentendimentos, invariavelmente, são resolvidos com um bom papo. ‘‘Ela sempre ganha as discussões’’, entrega Rafael. ‘‘Tenho os melhores argumentos. Ele se convence de que não tem razão’’, rebate Ana. De qualquer forma, as rusgas não costumam durar mais do que 10 minutos. ‘‘Descobri a pessoa que me completa. E ela também’’, resume Rafael.


Daniela e Fábio
  Durante boa parte dos cinco anos e meio que estão juntos, Daniela Negro, 31 anos, e Fábio Griffanti, 39, viveram um namoro de conexões, encontrando-se em algum ponto do planeta. Fábio, que é italiano, tinha negócios na terra natal, nos Estados Unidos e no Brasil, e viajava constantemente. Como Daniela trabalhava numa agência de turismo, a logística da coisa estava pronta. Mas não foi nada fácil. ‘‘Tinha que picar as minhas férias durante o ano, escolhia semanas com feriados para ganhar alguns dias’’, lembra ela. Até que resolveu dar uma guinada profissional e abrir o próprio negócio.
  Fábio não só apoiou como investiu financeiramente no projeto. Quando se conheceram, os dois já tinham passado pela experiência do casamento. Por isso, encararam o namoro a distância com serenidade. ‘‘Era totalmente saudável, no sentido de espaço individual e de maturidade do relacionamento. Pessoas que ficam muito grudadas não entendem isso’’, observa Daniela. Parte da saudade vinha mensurada na conta de telefone. ‘‘Desde o primeiro beijo, nos falamos todos os dias’’, conta ela.
  Daniela define a relação como uma virada de 180 graus na vida de ambos, sobretudo na dele, que deixou a agenda atribulada de empresário internacional para administrar o negócio londrinense com a ‘‘sócia’’. ‘‘É uma sociedade mesmo, temos apartamento, conta-corrente e agência, tudo junto’’, diz ela. ‘‘Casamento é só uma palavra’’, observa ele.
  A mudança de Fábio para Londrina não significou, de maneira alguma, uma vida mais tranqüila para o casal. ‘‘Não tenho raízes, quatro paredes é pouco para mim’’, justifica. Além de saírem todos os dias, eles estão sempre programando viagens, sem falar nos freqüentes fins de semana na capital paulista. ‘‘Criar, fugir da mesmice’’ é regra de ouro para ambos. ‘‘Somos muito cúmplices, gostamos de fazer as mesmas coisas’’, diz Fábio. ‘‘Tenho jogo de cintura para lidar com o lado explosivo dele’’, analisa Daniela. n

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