Combatendo a pirataria
Por conta disso, as empresas têm se esforçado para combater a pirataria. A Zoomp, por exemplo, mantém advogados em todo o País para investigar a venda de produtos falsos encontrados em camelôs e até em lojas. Estima-se que, a cada peça original vendida pela marca, outras três falsificadas também entrem em circulação.
A Nike é, hoje, uma das marcas mais falsificadas do mundo. Investe, anualmente, R$ 400 mil no combate à pirataria. Em 1999 foram vendidos no Brasil 1 milhão de pares de tênis Nike pirateados, muitos deles contrabandeados, via Paraguai, da Coréia do Sul, Taiwan e Hong Kong. Mas muitos outros foram fabricados no Brasil mesmo, especialmente em três cidades: Nova Friburgo (RJ), Nova Serrana (MG) e Franca (SP).
Com a intensificação do combate à pirataria, a Nike estima que a venda de tênis falsos venha diminuindo em cerca de 200 mil pares por ano. Temos também muita preocupação com os consumidores, porque laudos de especialistas em biomecânica e ortopedia atestaram que o uso constante de tênis falsificados pode fazer mal à saúde, diz o diretor financeiro da Nike do Brasil, Fábio Espejo.
Mas não são apenas os tênis Nike que são falsificados e vendidos aqui. Roupas e todo tipo de acessórios da marca enfrentam o mesmo problema. A camisa da seleção brasileira está pendurada em varais de camelôs em diversos pontos de São Paulo. Hoje, é possível encontrar meias, bonés, carteiras e relógios Nike sendo vendidos pelos camelôs, afirma Espejo.
Para o delegado Camassa, o sucesso dos produtos falsificados no Brasil é uma questão cultural. Existe um segmento da população que está acostumado a comprar só em camelôs, lembra. As pessoas compram produtos falsos por conta do preço, sem se aterem ao fato de que estão sendo coniventes com o crime. Por isso, o combate, para ele, tem de ser feito desde o início. O importante é chegar à fonte fornecedora. Se a gente consegue quebrar a perna do reprodutor, desestrutura o comércio.
O diretor jurídico da Abravest, Mauro César da Silva Braga, ressalta que o consumidor precisa entender que, quando compra uma roupa falsificada, está financiando outros crimes. Braga que também representa algumas das marcas mais falsificadas do País, como Ellus e M. Officer, diz que a dificuldade de se apreender produtos falsificados ainda é grande porque, apesar de se ter conhecimento de quais são os lugares em que elas são vendidas, é preciso que várias empresas se unam e façam ações de apreensão conjuntas, munidas de ordem judicial e com suporte policial. (A.F.)





