Nesta última década, a obesidade se tornou tão séria que está sendo tratada como um problema de saúde, e não só estético. As principais implicações ocasionadas pelo excesso de peso são hipertensão, diabetes, doenças cardíacas e vasculares, problemas articulares, além, é claro, do aspecto psicológico. ‘‘A preocupação do obeso é com relação à estética, a do médico está relacionada à saúde’’, diz o gastroenterologista e endoscopista Sérgio Spinoza.
Não é à toa que a medicina está cada vez mais empenhada em combater esse mal que atinge grande parte da população. Além do tratamento psicológico, nutricional e medicamentoso, técnicas mais radicais e avançadas têm surgido na luta contra a obesidade como, por exemplo, a cirurgia de redução gástrica que garante a perda de até 40% do peso. Para o início do próximo ano, uma nova técnica deve chegar ao Brasil. É o tratamento endoscópico da obesidade, que vem sendo utilizado com sucesso na Bélgica, Itália e Austrália desde 1997.
A técnica consiste na introdução no estômago, através de endoscopia, de um balão intra-gástrico. ‘‘O balão é feito de silicone e introduzido vazio no estômago e, sob visão endoscópica, é enchido com uma média de 400 a 700 ml de soro fisiológico. Esse balão passa a ocupar uma parte do estômago, causando uma sensação de saciedade na pessoa’’, explica o médico. Ele esclarece que esse tratamento é indicado a pacientes que encontram-se 40% acima do peso ideal.
Riscos Sérgio Spinoza destaca que o balão pode ficar no estômago por, no máximo, seis meses. ‘‘Por esse motivo, esse tratamento é auxiliar. Nesse período, a pessoa passa por uma reeducação alimentar com a ajuda de endocrinologistas, nutricionistas e psicólogos. Depois de seis meses, o paciente estará mais magro e precisando de menos calorias, ficando mais fácil o controle do peso’’, afirma.
Mas, segundo o médico, essa técnica apresenta alguns riscos. ‘‘A pessoa pode desenvolver uma úlcera. Além disso, se o balão se romper e o soro estiver contaminado, pode provocar uma infecção no intestino. Por isso, é importante que o médico use soro fisiológico. O balão murcho também pode causar uma obstrução intestinal’’, alerta Sérgio Spinoza. Entretanto, ele explica que o risco do balão se romper antes de seis meses é mínimo. ‘‘Junto com o soro, é colocada uma substância de cor azul – caso o balão se rompa, a pessoa passa a evacuar azul, sendo um alerta para o médico’’.
Sérgio Spinoza esclarece ainda que se houver necessidade do balão ficar no estômago por mais tempo, após seis meses ele precisa ser substituído para que o paciente não corra riscos. ‘‘A retirada é feita por via endoscópica’’, acrescenta. Ele informa que, nos Estados Unidos, essa técnica não está sendo usada ainda porque não foi aprovada pela FDA. ‘‘No Brasil, esse tratamento deve ser liberado pelo Ministério da Saúde em janeiro de 2001’’, avisa.
O médico diz que a grande vantagem desta técnica é que ela é menos radical do que a cirurgia de redução gástrica e apresenta bons resultados num período de seis meses. Sérgio Spinoza ressalta que o Tratamento Endoscópico da Obesidade também pode ser indicado a pacientes obesos que vão se submeter a uma cirurgia e precisam perder peso antes.

Peso versus altura

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