Com que roupa eu vou?
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sexta-feira, 28 de janeiro de 2005
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Todos os dias, para ir à escola, Giovana veste saia plissada azul marinho e camisa pólo branca, com o emblema da instituição, e meias brancas. Se você acha que estamos descrevendo uma estudante de décadas atrás, esqueça. Giovana Punhagui, 16 anos, é aluna do tradicional colégio londrinense Mãe de Deus, que, ao contrário da maioria, exige o uso de uniforme completo. ''Tem gente que tira sarro, faz o sinal da cruz quando eu passo, me chamam de freirinha, mas eu não ligo'', garante.
O que hoje parece um exagero, era considerado normal há alguns anos, quando a própria escola era mais rigorosa com seus alunos, os professores eram mais distantes e os jovens tinham pouca voz ativa nas decisões acadêmicas. Com as mudanças na sociedade e na visão de ensino, muitos colégios acabaram por tornar facultativo o uso de uniformes completos no ensino médio, limitando apenas à necessidade de camiseta, ou simplesmente abolindo o uniforme da lista de exigências.
Só para meninas De acordo com a diretora do Mãe de Deus, Irmã Dionéia Lawand, até mesmo no rígido colégio religioso o uniforme passou por mudanças. ''Antes as meninas usavam suspensórios, boinas e sapatos pretos. Nosso uniforme também se modernizou, mas a saia plissada e a camisa continuam'', garante. O motivo, segundo ela, é porque a roupa faz parte da proposta de educação do colégio. ''Nossa escola é só para meninas e nós oferecemos uma formação para a mulher. Nosso uniforme é feminino, além de prático para os pais'', explica.
''Eu gosto de usar a roupa da escola. Gosto de estudar aqui e me sinto bem de uniforme. Outra vantagem é que, usando uniforme, ninguém se preocupa se a sua calça é de marca ou não. A gente conhece e gosta das pessoas pelo que elas são por dentro, e não pela roupa que usam'', diz Giovana.
Para o diretor administrativo do Colégio Ateneu CPV, Miguel Afonso Vargas, a escola, que possui somente o ensino médio e cursos pré-vestibulares, não exige uniforme de seus alunos a pedido dos próprios adolescentes. ''Fizemos uma pesquisa com eles e a maioria disse estar cansada de usar roupa de escola. Até temos uma camiseta, escolhida pelos alunos, que cerca de 15% deles usam. Nosso lema é conversar sempre e nossos jovens nos convenceram que o uniforme não era mais necessário'', afirma.
Abusos proibidos Mas as escolas que recebem também alunos do ensino fundamental garantem que o uniforme é importante para a segurança das crianças. ''Assim, sabemos quem é nosso aluno ou não, em qual nível ele está porque o uniforme muda de cor de acordo com a série. Para quem trabalha nos pátios da escola, fica bem mais fácil identificar cada aluno'', comenta a psicóloga do Colégio Marista, Maria Luiza Jorge. Lá, quem está no ensino fundamental precisa de uniforme completo. Os alunos da 1 e 2 séries do ensino médio usam apenas a camiseta, e os que estão no terceirão são os únicos liberados para vestir o que quiserem.
''É claro que, mesmo assim, existe um limite para as roupas que eles usam. Saias muito curtas, grandes decotes e barriga de fora são proibidos. Temos inspetores que ficam nos corredores observando e advertindo sobre abusos. Caso o aluno insista, comunicamos à família. Mas a maioria dos alunos respeita os limites e usa uniforme quando necessário'', diz a psicóloga. A aluna do terceirão do Marista, Gléucia Gonçalvez, 17 anos, garante que as meninas dificilmente usam roupas extravagantes. ''Quase todas as meninas vêm com calça de ginástica e blusinha e os meninos, de bermuda e camiseta. Por ser um colégio religioso, sabemos que existem regras, é raro alguém abusar.''
Mesmo no Ateneu, que não cobra de nenhum de seus alunos o uso do uniforme, os abusos não acontecem. ''Até mesmo boné eles podem usar em sala de aula. A questão da segurança não é um problema porque nossa escola é pequena e conhecemos nossos alunos pelo nome. E eles têm bom senso, a maioria usa calça jeans e bermuda, camisetas ou blusinhas'', afirma o diretor.
''Nossos alunos gostam do uniforme. Tanto que o pessoal do ensino superior, que não precisaria usar nada, fez uma camiseta. Tivemos uma aluna que saiu daqui para estudar em outra escola e quando ela voltou, disse que sentiu falta do uniforme'', conta a coordenadora do departamento de música do Mãe de Deus, Irmã Sandra Regina Netto.n


