Apesar do pleno verão brasileiro, a ceia de Réveillon tende a imitar as ceias americanas e européias: dotadas de muita caloria e gordura. Isso sem contar a farta opção de bebidas alcoólicas, que nem sempre resulta numa boa associação. Mas, como tudo é festa e vale mais o prazer de estar entre família e amigos, não é preciso se privar de nada. Basta seguir algumas regrinhas básicas que o ‘‘day after’’ poderá ser como outro qualquer. A dica é de médicos endocrinologistas e da nutricionista Mônica Beyruti, que ensinam como enganar o estômago até a ceia ou como se safar dos excessos causados nas festas de fim de ano.
‘‘Coma de tudo, mas com moderação’’, resume o endocrinologista Alfredo Halpern, chefe do Grupo de Obesidade do Hospital das Clínicas e do Hospital Israelita Albert Einstein. O importante, segundo ele, é conhecer os alimentos, suas origens e funções. A exemplo do dia-a-dia, variar, moderar e adequar a comida garantem uma alimentação balanceada, mesmo nas festas de fim de ano. ‘‘É uma época importante, de confraternização. Não é preciso se privar de nada, mas evitar excessos, como repetir o prato ou beber a noite inteira’’, observa ele.
Para evitar excessos nas ceias, a nutricionista Mônica Beyruti, sócia da Consultoria Nutricional Beyruti & Oliva, indica que é preciso montar um prato como se fosse uma degustação. ‘‘Coloque um pouco de tudo que gostar e não repita depois’’, receita ela. Como em geral as ceias são servidas bem mais tarde do que os jantares habituais, é importante comer alguma coisa antes ou enquanto se toma o aperitivo.
Saladas e frutas Normalmente, estando em casa, clubes ou em recepções de amigos, é comum saciar a fome com petiscos que acompanham esses aperitivos. ‘‘Cuidado’’, reforça ela . Tanto os aperitivos quanto os petiscos têm alto valor calórico. A dica da nutricionista Mônica é uma salada verde, com folhas e muitas fibras ‘‘porque ajudam a reduzir o apetite’’, informa ela. Uma boa pedida é montar uma salada com alface, erva-doce, rabanete, tomate e pepino (veja o boxe).
‘‘É inevitável o paciente em dieta não cometer deslizes na festa, mesmo que haja uma preocupação prévia’’, observa o endocrinologista Márcio Mancini, membro da diretoria da Associação Brasileira para Estudo da Obesidade (Abeso). O comportamento é comum principalmente quando se viaja nesse período e as pessoas saem do seu ambiente. As opções de alimentação são festivas e calóricas em hotéis ou nas casas de amigos e parentes. Se a pessoa puder, a dica do endocrinologista é dar preferência às frutas secas ao invés de pratos típicos, que são pesados, como a rabanada.
Mesmo que se cometam excessos, Mancini ressalva que é muito importante às pessoas, estando ou não em regime, voltar ao hábito alimentar no dia seguinte. ‘‘A semana que intercala Natal com Réveillon é fundamental. Normalmente, todos nós acabamos estendendo as comemorações. Um dos deslizes começa pelo café da manhã com o panetone. Muita gente acaba comendo uma ou várias fatias todos os dias pelo fato de o produto ter sido aberto e quase intocado no Natal’’, diz.
Moderar na bebida alcoólica é, de longe, outra recomendação para quem quiser chegar em janeiro sem sobressaltos. O endocrinologista Mancini observa que é mais fácil, por exemplo, manter um copo de vinho por mais tempo cheio, que um de cerveja – normalmente consumida por compulsão. E intercalar com copos de água. Pode parecer careta, mas é uma boa alternativa para não ver o ponteiro da balança subir estratosfericamente. Se isso ocorrer, não se preocupe. Não conseguir manter o mesmo peso que o de antes das festas é quase natural, dizem os médicos. ‘‘Mas se isso ocorrer, pode acreditar, é uma grande conquista’’, opina Mancini.
E quem abusou? Para quem não conseguiu se conter nas ceias e festas, algumas dicas também podem amenizar o efeito dos excessos na alimentação. Para surpresa de muitos, a nutricionista Mônica Beyruti recomenda, no mínimo, as três refeições diárias. Mas à base de verduras, legumes e grãos. Proteínas só de forma moderada. ‘‘E líquido, muito líquido, sobretudo água, aproximadamente de 2 litros a 2,5 litros por dia’’, recomenda ela. Nos intervalos das refeições caem bem leites e iogurtes desnatados e, ao invés de sucos, a nutricionista recomenda frutas, por terem fibras que ajudam na digestão.
Já o endocrinologista Márcio Mancini lembra que, para quem não pratica exercícios regulares, dificilmente a atividade física eventual vai compensar os quilos adquiridos após as comemorações. Ao contrário, ao iniciar atividades físicas sem um acompanhamento adequado, sobretudo se a dose for excessiva, a pessoa pode sofrer contraturas musculares e ficar mais tempo ‘‘de molho’’.

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