Os desígnios da moda são mesmo curiosos. Uma das mais cultuadas zonas erógenas femininas de todos os tempos ficou praticamente esquecida durante a última década. É praticamente impossível, hoje, encontrar uma peça acinturada no guarda-roupa de uma adolescente. A cada temporada, jeans, saias e shorts descem alguns centímetros e, apesar de o modismo exigir barriguinha bem trabalhada, não é raro observar meninas quase retas, sem as tais curvas que as mulheres do passado sofriam horrores para conseguir.
O suadouro da esteira e os intermináveis minutos de uma série de abdominais tornam-se esforços insignificantes quando comparados aos antigos métodos usados para modelar a silhueta. Difícil imaginar como era conviver com a sensação de algo comprimindo o abdome a ponto de restringir a respiração durante o dia inteiro, mas por muitos séculos as mulheres passaram por essa provação em nome da moda. Primeiro, com os corpetes do século XV, endurecidos com dois pedaços de linho colados. Depois, com os espartilhos do século XIX, feitos de barbatana de baleia e amarrados com firmeza na frente ou atrás da cintura.
Embora na época tenha sido motivo de grande controvérsia por grupos que protestavam contra os danos físicos causados pela roupa apertada em excesso, o espartilho estendeu seu reinado até 1900, quando vigorava uma nova versão do ''acessório'', que descia pelos quadris e projetava o busto para frente, resultando na famosa silhueta em ''S''. A carta de alforria das mulheres foi assinada pelo estilista Paul Poiret, que por volta de 1906 aboliu o espartilho da moda ao lançar o vestido com saia alta, cortada debaixo do peito, de linhas simples e retas.
Nos anos 50, a cintura reconquistou seu prestígio graças ao New Look de Christian Dior. E voltou a ser destaque nos anos 80 quem é que não se lembra das terríveis calças semi-baggys, justas em cima, largas embaixo? Mas desde que os jeans desceram para os quadris, levando com eles outros itens do vestuário, quem saía por aí com uma roupa acinturada corria o risco de ser considerado um ET. Corria. É que nas duas últimas temporadas, os tais desígnios da moda elegeram novamente a cintura como foco de sensualidade.
Fertilidade Não podia ser diferente, já que os anos 50 e 80 são as atuais referências de estilo. Cintos no lugar, saias amplas e corselets estiveram em muitas passarelas de verão e devem começar a ser vistos com simpatia pelas que seguem os ditames fashion. Os homens só têm a aplaudir. Cientistas descobriram que a relação entre a cintura e o quadril governa as regras da atração sexual. Mulheres cuja cintura têm 70% da medida de seus quadris seriam consideradas mais atraentes pelo sexo oposto. Entram nessa categoria, só para se ter uma idéia, divas como Marilyn Monroe, Sophia Loren, Kate Moss e Twiggy, além da Vênus de Milo. Essa proporção de 70% indicaria também, segundo pesquisas, maior fertilidade.
As donas de medidas próximas a isso têm que agradecer às leis da genética, pois são elas que impedem o acúmulo de gordura no local. Para as menos privilegiadas, recursos para esculpir a cintura não faltam. A começar pela fórmula dieta e ginástica, sobretudo para quem já passou dos 35 anos. ''Após essa idade, há uma tendência a gastar menos energia. Se a mulher não balanceia a dieta nem faz atividade física, tende a ganhar um quilo por ano. Isso se intensifica após os 40 anos, por causa das transformações hormonais da menopausa'', explica a médica endocrinologista Flávia Prado Teixeira, avisando que a gordura vai se acumular principalmente na cintura, abdome e quadris.n

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