Andropausa é uma palavra tão pouco conhecida que sequer consta nos dicionários da Língua Portuguesa. Esquecida pelos filólogos, esta palavra está sendo cada vez mais usada nos consultórios médicos, em especial, nas clínicas de urologia. Ela também é definida pelos especialistas como climatério masculino, ou seja, a menopausa do homem. Porém, os sintomas da andropausa são diferentes e menos intensos do que aqueles enfrentados pelas mulheres com o encerramento do ciclo reprodutor.
Os primeiros sintomas do climatério masculino aparecem após os 50 anos de idade, quando o homem começa a sentir uma série de alterações físicas, mentais e sexuais causadas pela diminuição progressiva do nível de vários hormônios. ‘‘A testosterona, que é produzida nos testículos, é o mais importante desses hormônios’’, destaca o médico urologista Lauro Brandina.
Segundo ele, os principais sintomas são: diminuição da massa muscular, aumento da gordura corporal que passa a se localizar principalmente no abdome, tendência à anemia, diminuição do desejo sexual, alteração no desempenho sexual, com dificuldade de obter e manter a ereção, problemas de memória e dificuldades na concentração, apatia, fadiga e alterações no humor com tendência à irritabilidade e à depressão.
Lauro Brandina esclarece que as diferenças entre menopausa e andropausa são grandes. ‘‘Nas mulheres ocorre uma queda brusca na produção do hormônio feminino (estrogênio), causando mudanças físicas, psicológicas e sexuais bastante acentuadas. Já no homem a queda hormonal é menos intensa e se instala de maneira gradual. Além disso, os sintomas não se manifestam da mesma forma e não atingem todos os homens’’, explica.
Reposição hormonal A exemplo da mulher, a reposição hormonal para tratamento da andropausa pode trazer muitos benefícios ao homem, como ganho de massa muscular, combate à anemia e melhora no desempenho sexual, resultando em uma melhor qualidade de vida para o paciente. ‘‘O que se questiona é se a reposição hormonal é indicada a todos os homens’’, salienta o médico. Como a queda hormonal varia de idade e também de homem para homem, antes de decidir pela reposição é preciso verificar se o nível de testosterona está normal ou não. ‘‘Por esse motivo, esse tratamento deve ser feito por um urologista’’, alerta Brandina.
Se o nível de testosterona estiver normal, o homem não deve fazer reposição hormonal, pois nesse caso, ele corre risco semelhante aos jovens que utilizam hormônio para fins anabolizantes e em dosagem suprafisiológica. ‘‘Pode causar aumento das mamas, atrofia dos testículos, alteração no nível de colesterol e problemas no fígado, como cirrose e câncer’’.
A reposição hormonal também já foi acusada de aumentar as chances de câncer de próstata. ‘‘Isso não é verdade. Entretanto, existe o risco de disseminação da doença quando ela já está instalada. Por isso, antes de iniciar o tratamento, é preciso fazer um histórico médico da vida do paciente, além de exames físicos e laboratoriais para se certificar da conveniência ou não do uso de hormônios’’, observa o urologista.
Lauro Brandina diz ainda que manifestações características do envelhecimento natural do homem podem ser confundidas com as da andropausa. ‘‘Além disso, existem algumas doenças como diabetes, hipertensão, tumores da próstata, stress e uso de medicamentos que podem apresentar sintomas semelhantes aos do climatério masculino. Portanto, o tratamento da andropausa deve feito com bom senso’’, argumenta o médico.

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