Para algumas pessoas, o ciúme é o tempero do amor. Para outras, ele pode significar o fim de um relacionamento. Esse sentimento, que envolve todas as relações de amor, pode ser um bom aliado ou um terrível inimigo dos apaixonados. Quem nunca sentiu uma pontinha de insegurança ao ver sua cara-metade conversando animadamente com algum estranho ou desconfiou daquelas reuniões na empresa que insistem em durar até mais tarde?
Se você disse sim para uma das situações acima ou já se viu em meio a uma crise de ciúme, não precisa se preocupar. Segundo o psicanalista clínico Aílton Bastos, sentir ciúme é algo normal nas relações humanas desde que nascemos. ''É um sentimento baseado no medo da perda de algo que gostamos. Sentimos ciúme desde que nascemos, principalmente de nossas mães. Os filhos têm ciúme dos pais por causa dos irmãos. O ciúme é, sim, uma prova de amor porque quem ama tem medo de perder'', explica.
O problema está na forma que cada pessoa lida com esse sentimento e no quanto ele é capaz de atrapalhar nossa vida. ''Costumo dizer que os fatos não fazem as pessoas sofrerem. O que causa dor é o que pensamos daquilo que acontece, a interpretação que temos diante de diferentes situações. Pense numa situação hipotética: alguém esbarra em você fortemente dentro de um ônibus. O primeiro sentimento que temos é de raiva e incômodo. Mas se soubermos que a pessoa é cega, automaticamente o sentimento passa a ser de compaixão e solidariedade. Quando deparamos com nosso companheiro conversando com alguém acontece o mesmo. Podemos imaginar que se trata de uma paquera ou até um caso e sofrer com isso, ou simplesmente entender como uma conversa entre amigos e nos sentirmos mais tranquilos e despreocupados. Tudo depende da maneira como encaramos as coisas'', afirma o especialista.
Imaginação Essa interpretação, segundo Aílton, depende da insegurança de cada um. O ciumento obsessivo geralmente cria histórias na própria cabeça, tira suas conclusões e sofre com elas sem que existam fatos concretos que justifiquem o medo de uma traição. ''Com isso, a pessoa passa a controlar a vida do outro, a vigiar ligações telefônicas, monitorar horários. Isso causa o afastamento do parceiro e, muitas vezes, o fim do relacionamento porque todo mundo precisa de espaço para respirar e viver a própria vida'', diz.
Se não for tratado, com o passar do tempo o ciúme passa a interferir em todas os momentos da vida do casal. O ciumento tenta afastar o companheiro de seus amigos, familiares e atividades de lazer. Um caso recente de como essa história termina foi o malfadado casamento do craque de futebol Ronaldo com a apresentadora Daniella Cicarelli, acusada por amigos do jogador de tentar controlar a vida do Fenômeno de todas as maneiras.
Para aprender a conviver com esse sentimento e tirar dele apenas a parte boa, o psicólogo diz que é preciso aprender a ser racional nos momentos de desconfiança. ''As pessoas têm que ponderar o que é fato concreto daquilo que é só fruto da imaginação. O ciúme é o pensamento negativo sobre algum fato. Se você vê seu companheiro beijando outra pessoa, isso é concreto e exige um posicionamento. Mas se é apenas uma conversa, é preciso avaliar quais as chances reais de estar existindo uma traição. Quem é ciumento tem que treinar o cérebro a pensar racionalmente'', ensina.
Ter um relacionamento com bases sólidas, cumplicidade e boa comunicação com o parceiro são as chaves para evitar o ciúme. ''Outro ponto positivo é cada um ter seu espaço e o casal ter o espaço em comum. Ver no outro a única fonte de felicidade de nossa vida é um erro. Todo mundo precisa ter uma atividade, um hobby, um círculo de amigos.''
E quem está do outro lado e é o alvo do ciúme de alguém também pode ajudar, impondo limites, sendo transparente e evitando mentiras e situações que o provoquem. ''Não existe uma dose certa de ciúme permitido. Ele é aceitável desde que não cause sofrimento para ninguém. Cada pessoa e cada casal tem seu limite. Se bem dosado, ele é apenas uma demonstração de amor e cuidado.''

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