Uma vez que as cirurgias de retirada de útero estão bastante comuns, as técnicas utilizadas no procedimento também estão melhorando. Hoje já é possível retirar todo o órgão sem a necessidade de cortes externos, utilizando a histerectomia vaginal.
O ginecologista Octacílio Figueirêdo Netto, que introduziu a técnica no Brasil há dez anos, explica que a cirurgia é feita pela entrada da vagina, sem a necessidade de abrir o abdômen da paciente. ''Nós apenas cortamos os ligamentos que prendem o útero ao corpo e retiramos com ajuda de pinças. Quando o órgão é grande, primeiro se corta o útero para retirar os pedaços. Os cortes são apenas internos'', afirma.
As vantagens da técnica, segundo o especialista, são inúmeras. ''A mulher pode receber alta 24 horas depois da cirurgia, a recuperação é muito mais rápida em cerca de 15 dias a paciente pode voltar às atividades normais , o desconforto é bem menor e não existem cicatrizes. Para o médico, a vantagem é que a histerectomia vaginal é um procedimento mais rápido e é possível tratar vários problemas em uma só intervenção, como incontinência urinária, períneo'', observa.
A histerectomia vaginal pode ser usada para praticamente todos os casos de retirada de útero e em pacientes de qualquer idade. ''Ela só não é recomendada para casos de câncer avançado, uma vez que é necessário fazer uma limpeza de todo o abdômen'', diz Octacílio.
Apesar de parecer novidade, o ginecologista Octacílio Figueirêdo diz que a técnica existe há mais de 100 anos. ''Ela ficou um pouco esquecida depois que inventaram a penicilina e os anestésicos. Mas eu aprendi na faculdade a usá-la apenas nos casos de prolapso (queda do útero). Depois que meu filho me disse que poderíamos usar em outros casos também, eu não usei mais o método tradicional. Só quando é necessário'', comenta.
A histerectomia vaginal é feita com anestesia raque e é oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e coberta pelos planos de saúde. Os dois médicos lançaram um livro e um CD sobre o tema e oferecem cursos para profissionais que queiram aprender a técnica. ''Em Londrina acredito que apenas 10% dos ginecologistas conhecem a histerectomia vaginal'', afirma Octacílio Netto. (H.F.)

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