O presidente do Conselho Brasileiro de Óptica e Optometria, Ricardo Bretas, afirmou esta semana, em Brasília, que a cirurgia para correção de miopia a laser pode provocar efeitos indesejáveis e, portanto, não deve ser realizada de forma indiscriminada como vem ocorrendo nos consultórios de oftalmologia. Entre os efeitos negativos estão o inchaço na parte central da córnea e, ainda, a possibilidade de a pessoa corrigir a miopia, mas acabar adquirindo astigmatismo ou hipermetropia.
O ex-ministro do Planejamento do governo Itamar Franco, Alexis Stepanenko, tinha dois graus de miopia e, desejando o ‘‘conforto’’ de não usar óculos, decidiu fazer a cirurgia. Resultado: ficou com seis graus de hipermetropia. Segundo ele, o oftalmologista havia dito que o risco de a operação não dar certo era de apenas 1% a 2%. ‘‘Pensei, no primeiro momento: cai no 1%, mas depois acabei concluindo que esse porcentual é muito maior’’, afirma, citando ter conhecido vários outros casos de cirurgias mal-sucedidas.
A preocupação de Bretas é quanto à venda da cirurgia
como se fosse um milagre que de uma hora para outra elimina de vez a miopia. ‘‘Em São Paulo está cheio de outdoors dizendo: jogue seu óculos fora, faça cirurgia’’ , conta. Ele garante que seu alerta não é uma queixa de mercado, porque boa parte dos pacientes que passam por cirurgias acabam depois tendo de usar óculos. Segundo o secretário do conselho, Sérgio de Abreu Veiga, todo mês ele recebe em seu consultório dez pacientes que não tiveram sucesso com a cirurgia. Veiga defende que a pessoa deva pedir indenização em caso de erros operatórios.

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