‘Cenas de um Casamento’ era uma minissérie, virou filme em 1973 e agora volta em DVD no formato original. Lançada nos cinemas com duração de 155 minutos, a minissérie, produzida com recursos modestos (US$ 150 mil) para a televisão sueca, chega ao Brasil pela primeira vez na versão original, em DVD duplo da Versátil Home Vídeo.
  A versão integral tem o dobro da duração (299 minutos) da exibida no cinema e editada pelo próprio Bergman. Traz os seis episódios que retratam o casamento da advogada Marianne (Liv Ullmann) com o professor Johan (Erland Josephson), desde a idealização da vida do casal por uma revista feminina, que o adota como modelo de uma reportagem no primeiro episódio, até o divórcio no quinto, chegando a uma surpreendente solução no último.
  Já definido como um drama de câmara sobre crise conjugal, ‘Cenas de Um Casamento’ seria melhor classificado como uma sinfonia de horror sobre a vida a dois. Na versão original, ela atinge ainda os filhos e amigos do casal (personagens que desaparecem na montagem para o cinema). Logo no primeiro episódio, quando o casal ‘‘ideal’’ da revista feminina recebe um casal amigo para jantar, a temperatura sobe mais que na marcante peça de Edward Albee, ‘‘Quem Tem Medo de Virginia Woolf’’? (sobre um casal que se odeia), filmado sete anos antes por Mike Nichols. Bergman não devia ignorar a peça de Albee, que tem algo em comum com a seqüência do jantar em seu filme.
  A construção de ‘Cenas de Um Casamento’ é radicalmente teatral, antecipando em mais de duas décadas os principais mandamentos do Dogma, o manifesto lançado por Lars von Trier em 1995. Nada de música ou efeitos especiais. É um Bergman seco, que não recorre ao simbolismo de filmes como ‘O Sétimo Selo’. É igualmente um filme que anuncia uma dramaturgia, aproveitada depois por produtores de reality shows. Tirando partido do granulado da imagem (o filme foi rodado em 16 milímetros), Bergman cria um efeito quase documental com os constantes close-ups que caracterizam sua linguagem, instalando o espectador no centro do drama. Pode não ser agradável. Mas é indispensável.
Persona Outro dos grandes filmes de Bergman lançado em DVD pela Versátil, ‘Persona’ é também seu primeiro com Liv Ulmann, na época, 1966, sua mulher. O filme conta a história de uma atriz de teatro, no auge de sua carreira, que emudece durante sua perfomance na peça ‘Elektra’. Para se recuperar vai para uma casa de campo, onde fica aos cuidados de uma enfermeira. Aos poucos acontece uma transferência de personalidade.
  Rodado na própria casa do diretor, na ilha de Faro, o drama aborda o medo, a solidão e a dificuldade de comunicação. Durante todo o filme, Liv, que interpreta a atriz de teatro, diz uma única palavra ‘‘nada’’, enquanto a enfermeira (Bibi Anderson), que também foi casada com Bergman, fala sem parar.

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