O ano de realização de ‘‘Brutalidade’’, que sai agora em DVD, diz muito sobre o filme: 1947. Estamos logo depois da guerra, o cinema americano amadurece rapidamente e pode se dispor a tratar com maior ênfase social do fenômeno penitenciário, que já produzira um subgênero do filme policial.
  Estamos também antes de começar a ‘‘caça às bruxas’’, isto é, a tenebrosa perseguição que, a pretexto de combater o comunismo, atingiu mais efetivamente os liberais e os adeptos do ‘‘New Deal’’.
  Ou seja, estamos nesse breve intervalo em que certas questões podiam ser colocadas impunemente, como o uso da força bruta contra presidiários como forma de controle (‘‘Força Bruta’’, aliás, seria um título mais apropriado).
  O didatismo, uma marca do pensamento de esquerda nos EUA, é patente no roteiro de Richard Brooks. Pode-se observá-lo como positivo ou não – à vontade do freguês. O importante, no caso, é que ele dá o tom ao filme, já que lá se encontram representados a direita brucutu, na pessoa do capitão Munsey (Hume Cronyn) e a esquerda lúcida e impotente, na pessoa do médico do presídio de Westgate. Entre eles, ao centro, o indeciso diretor da prisão. Os três gravitam em torno de Joe Collins (Burt Lancaster), o prisioneiro rebelde que organiza uma fuga e um motim.
  Para quem achar, em nome da arte, que tudo isso soa um tanto esquemático, vale lembrar um pouco acontecimentos recentes nas prisões paulistas: não há tantas formas assim de as relações degringolarem nas cadeias. De 1947, nos EUA, a 2006, no Brasil, as coisas são, em linhas gerais, as mesmas.
  Não vem ao caso, aqui, falar de esquematismo, mas de franqueza. E quem ficar em dúvida que observe a antológica cena de tortura criada por Dassin, acentuada pelas alusões nazistas da trilha de Miklós Rosa. Se tivesse sido feito um ou dois anos depois, ‘‘Brutalidade’’ já teria enfrentado, provavelmente, problemas com o macartismo e precisaria recorrer aos subentendidos para expor seu pensamento: é sua clara franqueza que faz dele um representante mais que digno desse momento fugaz, mas muito rico, do cinema americano.
The Blues O segundo pacote da série para a TV, produzida por Martin Scorsese, traz mais três documentários inspirados no universo do blues. Bom humor e melancolia se misturam em ‘‘The Road to Memphis’’, de Richard Pearce, que mostra o cotidiano de B.B. King, Bobby Rush, Ike Turner e outros veteranos músicos de blues, antes de um show coletivo, em 2002. Em ‘‘Piano Blues’’, Clint Eastwood narra uma história desse gênero musical, dividindo a cena com pianistas como Ray Charles, Dave Brubeck e Dr. John. Saboroso final, ‘‘Godfathers and Sons’’, de Marc Levin, reúne o rapper Chuck D (do Public Enemy) com o produtor Marshall Chess, em Chicago. Eles se juntam a músicos de blues e jazz para atualizar o som psicodélico de gravação que Muddy Waters liderou em 68. Distribuidora: Focus (R$ 110. p(Carlos Calado/Folha Press).

DVDs - Lançamentos
Instinto Selvagem 2- Execrada pela crítica, essa versão sem cortes traz de volta Sharon Stone no papel da escritora Catherine Trammel mais uma vez envolvida em filme recheado de suspense, mistério e sensualidade. Com David Morrissey

Tristão e Isolda- Filme de Ridley Scott, de ‘Robin Wood - O Príncipe dos Ladrões’, mostra a luta pelo poder na Inglaterra da Idade Média, após a queda do Império Romano. Pano de fundo para o amor proibido de Tristão e Isolda. Com James Franco e Sophia Myles

Compromisso Mortal- No melhor estilo de ‘A Mão que Balança o Berço’, esse suspense também envolve uma babá contratada por um casal para cuidar de uma criança. Com Nicola Farron, Eljana Popova

O Trapaceiro- Produzido pelos Irmãos Farrelly, de ‘Quem Vai Ficar com Mary’ e ‘O Amor É Cego’, o filme é diversão do começo ao fim. Com Johnny Knoxville, Brian Cox, Katherine Heigl.
Fonte: Phantom Vídeo

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