Troca de papéis sociais é certamente um dos temas favoritos dos ingleses desde Shakespeare, arauto do disfarce e da falsa identidade em comédias como ''A Noite dos Reis''. O dramaturgo Harold Pinter explorou-o em várias de suas peças e roteiros que escreveu para o cinema, entre eles o clássico filme de Joseph Losey (1909-1984) ''O Criado'', agora disponível em DVD pela Universal.
Baseado no romance homônimo de Robin Maugham, sobrinho de Somerset Maugham, o Criado, lançado nos cinemas brasileiros em 1975, mostra a luta de classe e a degradação moral da elite inglesa, consumida numa simbólica orgia que marca o que deveria ser o ponto alto do filme. Deveria, mas não é. O autor, Robin Maugham, ao ver o filme, detestou a cena. Disse que nem Pinter nem Losey tinham a mínima idéia do que era uma orgia.
De fato, a festinha particula organizada pelo amoral criado (Dirk Bogarde) para seduzir o patrão alcoólatra (James Fox) é quae tão farsesca como a orgia de outro grande filme, De Olhos Bem Fechados, a derradeira obra de Kubrick, cuja bacanal era anódina como uma viagem ao castelo de Cinderala na Disneylândia
Deixando de lado os pequenos defeitos, ''O Criado'' é um filme de grandes qualidades, da atuação de Dirk Bogarde à fotografia em preto-e-branco. A associação Pinter-Losey tem uma química perfeita: ambos são homens de teatro, conhecem o valor do teatro, conhecem o valor da palavra - e ainda mais do silêncio. ''O Criado'' é construído sobre hiatos, longos deslocamentos de cãmera e rostos distorcidos por espelhos. O foco é o relacionamento entre um aristocrata tirano e um criado que acaba por extrapolar sua função, trocando de papel com o patrão.
Traiçoeiro e ssdutor, o criado leva para casa sua amante (Vera Miles), apresentando-o como sua irmã e abrindo caminho para um triângulo amoroso nada equilátero. De início, todos respeitam seus papéis com justa determinação. Tony, o rico e indolente senhor trata o criado como os ingleeses tratam os antípodas, ou seja, com absoluta indiferença. Barret, asturo, observa seus comportamenteo e ataca ao menor sinal de fraqueza do aristocrata entediado com seu papel de namorado da rica e frívola Susan (Wendy Craig) A tensão entre os personagens não é expressa por meio de uma narrativa convencional, mas pelo silêncio do patrão, a certa altura dependente do empregado a ponto de assumir o papel de escravo. A transformação é rápida o suficiente para o espectador perceber que nada é o que parece.
Lançado em livro em 1948 e adaptado para o cinema em 1963, ''O Criado'' continua até hoje um filme marcante sobre o difícil diálogo entre diferentes classes sociais. Sem ele, é possível que Losey não tivesse realizado o premiado filme de 1069, ''O Mensageiro'', obra-prima com roteiro de Pinter sobre o comportamento da elite inglesa, incapaz de interagir com subalternos.



DVDs Lançamentos

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Carros- Dos criadores de Os Incríveis e Procurando Nemo, este desenho é garantia de diversão a toda velocidade, onde o importante na vida é a viagem e não o destino

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